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Batalhas

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Esta semana, enquanto parece que fomos derrotados novamente em Alcácer Quibir, estive a rever a estratégia de Aljubarrota e é um daqueles episódios em que realmente contou a estratégia montada (recomendo vivamente ir-se ao Centro Interpretativo da Batalha de Aljubarrota, muito bem feito e pedagógico).  As tropas portuguesas, naquele dia de 14 de Agosto eram várias vezes inferiores em dimensão às tropas castelhanas. D. Nuno Álvares Pereira tinha batido o pé no conselho: devíamos dar pleito aos espanhóis; o  Rei não concordou com ele e o Condestável sai sozinho, pelo seu pé. A alternativa a uma refrega agora seria um avanço de D. Juan sobre Lisboa, que nós não iríamos conseguir aguentar: era essa a tese de D. Nuno. Assim, seria melhor uma antecipação. Um ou dois dias depois, D. João I revê a sua posição e junta-se a ele. D. Nuno Álvares Pereira muda pelo menos uma vez de palco de operações, até encontrar aquele que melhor servia os seus intentos: apanhar os espanhóis sem que ele...

Esta enorme curiosidade que faz atravessar o rio

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Dizia de si próprio George Steiner que em novo fazia listas de coisas que queria saber. Também Edgar Morin, em entrevista recente a uma jornalista portuguesa dizia que o que o mantém vivo (já passou os 90 anos) é uma enorme curiosidade e que, por causa dela, interessa-se por tudo, até pelo futebol... É capaz até de ensaiar que o futebol tem que ver com o pensamento complexo, veja-se o que ele diz: “Parece estranho, mas é o que discretamente propõe o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, autor de mais de 30 livros, no texto Epistemologia da Complexidade, publicado em Paradigmas, cultura e subjectividade (1996). Explica-se: visto em simplicidade, o futebol é só um jogo em que cada equipa procura marcar golos ao adversário; visto em complexidade, torna-se uma partida de estratégias, em cada equipa constrói um jogo para desconstruir o jogo adversário. “O futebol que vemos todas as semanas nos estádios é uma demonstração de complexidade”, escreve Morin, acrescentando que “com no...

Aviso à navegação

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Há momentos em que tudo pode mudar e se não formos prudentes e avisados, podemos cometer grandes erros. Decidir apressadamente ou de "cabeça quente" pode ser um perigo. Em diversas conversas que tenho tido com alguns amigos, temos reflectido na importância que é haver "massa crítica" e capacidade de análise, que o nosso País, a nossa cidade de Lisboa, por exemplo, sejam governados com inteligência e ponderação. Nestes últimos meses, devido à pandemia, tudo está a mudar e temos alguma dificuldade em nos situar.  Não podemos simplesmente "surfar" as ondas quando elas nos são favoráveis e, depois, deixar-nos a lamentar-nos nos períodos de escassez, num mar de águas paradas, onde falta o pão. É muito importante pensarmos a médio e longo prazo: onde queremos chegar como País? Onde queremos que a nossa cidade de Lisboa chegue daqui a uns anos? Tenho algum receio que nesta pandemia estejamos a seguir as respostas erradas.  Que avaliação económica por exemplo foi ...

Ensaio sobre o Tempo

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Diogo Freitas do Amaral - "mais 35 anos de Democracia (Memórias Políticas III)"

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Das minhas primeiras memórias sobre a política conta-se o daquelas eleições presidenciais de 1986, em que o País viveu em suspenso e com uma enorme vibração, dividido entre Freitas do Amaral e Mário Soares.  Freitas do Amaral morreu recentemente, foi uma figura muito importante da nossa democracia. Vi-o há cerca de 3 anos nos anos do José Sarmento Matos, meu amigo também já desaparecido (um pouco antes de Freitas) e de quem era cunhado. No ano passado, em Outubro, o meu amigo Joaquim Mendia, que havia sido assistente do Freitas na montagem do curso de Direito do Urbanismo, ofereceu-me este livro, cujo título dá nome a esta entrada hoje no blog.  Freitas do Amaral escrevia magnificamente: uma escrita simples, clara e despretensiosa. Um homem de grande capacidade intelectual, um pedagogo. É por isso verdadeiramente um prazer ler estas memórias.  Há algo um tanto ou quanto desconcertante neste homem: é um homem que não criou seguidores,  dele não nascem facções. Isso te...

Beleza e Contemplação

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Entre autómatos e mestres de nós próprios A aceleração temporal faz com que vivamos ao ritmo da comunicação e como esta cresceu muitíssimo, temos acesso a muita informação. Informação que temos dificuldade em digerir. Como diz Charles Landry, urbanista inglês que aborda o aumento exponencial da invasão sensorial nas nossas cidades ( in  “Paisagem Sensorial das Cidades”, Building Ideas, 2017) “ cada vez mais, a nossa primeira sensação (…) é a de excesso de informação, o que nos faz sentir que as coisas estão fora de controlo ”. Diz-nos ele que “ quer a publicidade quer os meios de comunicação procuram preencher com os mais estridentes tons e sons, os desejos de cada um. Há toda uma distração, perca de atenção, de concentração e de foco ”. A dispersão crónica em que muitas vezes vivemos tem consequências gravíssimas em termos de saúde mental. O mundo exterior envia-nos tantos dados contraditórios e todos lutam por ganharem na guerra da nossa atenção. Se não sabemos proteger-n...

Uma andorinha não faz a Primavera

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Ontem à noite assisti a vários programas "Visita Guiada" da Paula Moura Pinheiro. Dois deles sobre D. Pedro IV e o Porto.  Fica um travo triste desta história das guerras do séc. XIX e todas estas aventuras e desventuras dum País cuja corte tinha "enxameado" para o Brasil e que depois se guerreia entre facções. Um príncipe que se reclama Imperador do Brasil e que se bate com seu irmão e cuja morte, aos 36 anos de idade, deixa seu filho ao Brasil, o seu coração à cidade do Porto e o corpo a Lisboa. Conta-se que o seu filho, D. Pedro II do Brasil,  quando vira a sua mulher - cujos arranjos matrimoniais a trariam  Europa para o Brasil, ficara decepcionado e que não quisera casar com ela. D. Pedro IV de Portugal, mais tarde, D. Pedro Imperador do Brasil, dissera-lhe que não tinha opção e que teria que casar com ela.  Esta manhã li na wikipedia o relato da vida deste homem que regeu o Brasil a partir dos seus 5 anos de idade quando seu pai parte para Portugal, para defen...