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A mostrar mensagens de Junho, 2020

Por falar em excelência e Humanidade, dixit António Pinto Leite

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“A excelência é como alguém que nos vai envolvendo sem nunca se entregar, é algo que nos atrai intensamente sem que se deixe atingir, é um ponto algures entre a motivação absoluta, a exigência determinada e a insatisfação permanente. A excelência é o paradigma final da qualidade. É a qualidade sempre, a qualidade em todos e em tudo, a qualidade no seu grau mais elevado de perfeição, de seriedade, de sentido ético e de consciência. A excelência é um caminho inesgotável de exigência, é uma autodisciplina de respeito por aquele que connosco contrata. A excelência é uma cultura, é um compromisso, que as organizações têm ou não têm. Começa na selecção criteriosa das pessoas, prossegue por mecanismos de controlo e avaliação permanentes e passa por lideranças capazes de manter a motivação do conjunto. Conseguir um profissional excelente é fácil. Difícil é obter uma organização de excelência. A excelência é, por isso, uma armadilha, porque é insaciável, porque exige tudo sempre, porq

Os valores

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Qualquer profissão tem que ter por referência um bem.  Um médico ou um enfermeiro põem o seu saber ao serviço do cuidado dos seus doentes, mas um engenheiro ou um electricista não deixam de realizar o seu trabalho à luz de algo que de certa maneira os transcende. Na verdade, há um quê de dádiva em cada profissão, remetendo para a Parábola dos Talentos em que eu ponho os meus talentos a render, em vez de os enterrar na terra. O desenvolvimento dos nossos talentos é feito na caixa de ressonâncias interior, de mim para mim, mas em que convoco para esta conversa os ecos do exterior, aquilo que apreendi do mundo e que o mundo desperta em mim de atitudes, de esforço, de vontades afinal. Ontem jogava ténis com um amigo meu. Dei-me conta que o que o mundo nos transmite é muitas vezes que temos que ganhar, ser os melhores, introduzindo-nos numa lógica de ganhadores/perdedores. O desporto ensina-nos a querer ganhar - o que me parece que é sem dúvida nenhuma bom, mas devemos saber trabalhar em co

Senhor Manuel, engraxador de sapatos do Rossio

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  Foi a segunda vez que tive um encontro com o Senhor Manuel. Hoje, depois de ir levantar os meus sapatos, que ficaram a arranjar no sapateiro que tem como estabelecimento de porta aberta na Rua dos Correeiros, na Baixa, uma entrada dum prédio mesmo ao lado das Finanças (onde o atendimento é exemplar), fui à Missa em S. Domingos e, logo a seguir, atravessei a Praça do Rossio, onde um senhor de idade se fixou como engraxador de sapatos. Como resolvera tirar esta manhã para os "aprestos" do dia, em jeito de descanso pelos dias mais agitados que tenho vivido ultimamente, resolvi ter o tempo que fosse para que o trabalho de pôr os meus sapatos a brilhar se fizesse sem pressas. Entabulei conversa e fui tentando saber quem era este senhor, que se instalara ali, com todo um equipamento bonito e antigo e que ia metodicamente exercitando a pele dos meus Sebagos, que me dizia iriam ficar como novos. E que melhores ainda ficariam se quisesse voltar e a tratar deles. É um senhor

A propósito do 10 de Junho, dia de Portugal

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Portugal, país com mais de 800 anos de história comemora hoje o seu dia. É feriado, estou em Sintra, envolvido por uma serra que os antigos chamaram a "Serra da Lua" e que o homem soube embelezar a ponto de ser considerada o primeiro lugar classificado pela Unesco como Património Cultural da Humanidade. Se algo distingue esta nação, feita antes estado do que um povo com um devir próprio, foi a sua enorme vontade de Ser: da sua filiação aos povos da Cristandade, fez-se aos mares, aventurando-se de forma pioneira para além do mundo conhecido. Aí trilhou uma história única, feita cada vez mais sua pelos aventureiros e pela pena dos que os narraram. Camões foi arauto dessa individualidade, que desafiou ventos contrários, gravando a cinzel na pedra que os portugueses "por perigos e guerras esforçados, mais do que permitia a força humana, entre gente remota edificaram novo reino que tanto sublimaram". Escassamente povoado, Portugal teve o "talant de bien fa

Cidadela

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Ontem deambulava à noite os olhos pelas estantes de livros (parece que o talentoso Alain de Botton tem uma valência que tem a ver com receitar livros consoante estados de alma). Peguei em "Montaigne" de Stefan Sweig e estive entre ontem à noite e esta manhã (ao acordar) entretido.  Este livro cruza-se com uma conversa que tive no outro dia com a minha prima Maria e o Bernardo, o seu marido. Ambos trabalham com arte e o Bernardo é mesmo artista. Ora, sem eu me lembrar exactamente sobre o que é que abordámos em concreto, o  Bernardo disse-me algo que me tem deixado a pensar.  Enquanto artista, o que ele procura de reconhecimento é ser reconhecido pelos seus pares. Na verdade, aqueles que estão em melhores condições para julgar o nosso trabalho são aqueles que vivem nele.  Eu sempre tentei evitar grupos fechados, onde o ar pode parecer mais "rarefeito": a abertura à transdisciplinaridade sempre me pareceu interessante. Tenho um pouco de resistência aos corpo