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A mostrar mensagens de Junho, 2022

Às vezes as melhores ideias são as mais simples

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Uma das coisas mais brilhantes que saiu nos últimos tempos é a iniciativa "Aprendemos juntos" do BBVA. São dezenas e dezenas de conversas publicadas no Youtube, e assim disponíveis para toda a gente sobre os mais diversos assuntos, mas creio que com uma base comum que é a responsabilidade que cada um tem sobre a sua vida e a forma como conseguir uma vida mais plena e com sentido. Longe de ser uma panaceia de receitas simples e descartáveis, reconhece a dificuldade e complexidade das coisas, e através de testemunhos e do saber de quem lá vai, introduz quem ouve numa dinâmica de reflexão, que sai quase sempre motivado pelas palavras sábias dos entrevistados. Há uma tónica forte na vertente comportamental e em pensar nas ferramentas que temos, que podemos convocar e desenvolver para nos tornarmos mais preparados para enfrentar a vida, mais resilientes. Desde psicólogos e cientistas, a professores e treinadores, passando por escritores, todos que lidam com a experiência humana e

Dom Entusiasmo

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As pessoas que mais admiro são aquelas que vibram com as coisas, que encontram no dia-a-dia motivos renovados para se alegrarem. Mas isso leva-me a pensar no seguinte: da mesma maneira que temos um aparelho digestivo que processa os alimentos, a nossa vida emocional depende daquilo que entra em nós e da gestão que fazemos desses "alimentos", por assim dizer. Há uma digestão emocional que importa realizar. E veio-me ainda a seguinte ideia: ontem pensava que muitas vezes se acusa os advogados de terem feitios terríveis e serem mal-humorados. Creio que tal se deve, de facto, àquilo que deixam entrar em si e que acabam por não saber processar da maneira mais adequada. Em verdade, não é fácil, pois a carga emocional pode ser muito negativa e há como que uma espécie de "contaminação". Cuidar da nossa vida emocional é de facto uma higiene necessária. Viver contrariedades, dificuldades faz parte da nossa caminhada.  Em primeiro lugar devemos ganhar alguma distância, não abs

Napoleão Bonaparte

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Os armários onde o meu avô guardava a sua roupa tinham um cheiro muito típico: cheiravam a uma água-de-colónia da marca Roger Gallet, chamada "Jean Marie Farina" (aqui se denota o talvez não indiferente gosto francês do meu avô, que aliás viveu em Pau, nos Pirineus Franceses, até aos 15 anos). Diz-se que esta foi a primeira água-de-colónia, tendo-se tornado tão famosa e um artigo tão especial que Napoleão Bonaparte não a dispensava, mesmo nas suas batalhas... De facto, a marca desenvolveu um frasco comprido, que Napoleão Bonaparte colocava dentro das suas botas de montar e que levava para todo o lado. O meu avô, pelos vistos, também não dispensava Jean Marie Farina, o cheiro a que todos nós automaticamente o associamos. Nos últimos dias tenho estado a ler uma excelente biografia deste homem ("Napoleão, o homem por trás do Mito", de Adam Zamoyski, Crítica, Novembro de 2021), um dos poucos de quem se pode dizer com justiça que a sua vida terá mudado o curso da históri

Coisas para arrumar na cabeça

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O nosso cérebro é curioso. Existe nele uma tendência grande para a dispersão, para a indisciplina. É-me difícil seguir um fio condutor, pegar hoje no que foi o plano de trabalho do dia de ontem. No ano passado, tinha muito a ideia de escrever um romance intitulado " Fred Pery, o advogado peripatético ". Fui escrevendo algumas coisas, tentando fazer um plano coerente para o livro, acabei por ter muitas coisas escritas, desconexas, ideias difíceis de organizar. É um livro que me apetece fazer desde há muito. Traduz-se numa espécie de ensaio romanceado daquilo que me parece poder ser a minha profissão de advogado. Ultimamente tenho pensado que a profissão dá poucas oportunidades para viver o lado solar da vida e que ser advogado é carregar apenas o fardo das coisas - do que não é positivo. Dos conflitos, dos problemas burocráticos, das dificuldades. Frederico Pery é uma figura peculiar, pois em relação às coisas negativas da profissão não se deixa afectar por elas. Como consegue

Viktor Frankl e um aviso à vigilância e assim, e assim...

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Num ensaio que li há tempos chamado " O Homem à Busca dum Sentido ", mas a que voltei hoje,  Viktor Frankl toca num ponto que me deixou a pensar ao longo do dia: nas situações mais complexas, há certos seres humanos que são ainda assim capazes de gestos surpreendentes.  Diz ele: " A forma como um homem aceita o seu destino e todo o sofrimento que ele acarreta, a forma como carrega a sua cruz, concede-lhe bastas oportunidades - mesmo nas circunstâncias mais difíceis - para dar um sentido mais profundo à sua vida. Pode manter-se corajoso, digno e altruísta. Ou, durante a luta tenaz pela autopreservação, pode esquecer a sua dignidade humana e tornar-se pouco mais que um animal. Tem aí uma ocasião para aproveitar ou desperdiçar as oportunidades de alcançar os valores morais que uma situação difícil pode conceder-lhe. E aí se decide se é, ou não, digno dos seus sofrimentos (...) Entre os prisioneiros, só uma minoria manteve por inteiro a liberdade interior e alcançou os valor

Depressão

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Uma das piores doenças dos nossos dias é a depressão. Há muitas coisas que nos podem fazer sentir-nos tristes, levarmos uma vida triste. Encontrei recentemente uma pessoa triste, deprimida. Senti que a sua vida poderia ser melhor, mas também é verdade que as pessoas deprimidas também têm uma grande dificuldade de tomar decisões  que a façam sair desse estado. É difícil sair dum poço de onde não se vê a luz. Quase todas as pessoas passam na sua vida por períodos de depressão. Esta semana acabei de ler o livro Veva de Lima, da Joana Leitáo de Barros. É o retrato duma mulher interessante do séc. XX e os  seus últimos anos parecem ser o de uma pessoa que ficou como que prostrada, sem reacção; os golpes da vida podem deixar-nos assim, sem reacção. A vida realmente não é nada fácil.  Está estudado que uma pessoa deprimida tem uma certa tendência para se isolar, para evitar os outros. É uma tendência natural, mas o próprio sabe que isso cava ainda mais o seu estado de debilidade. Como quebrar

Portugal, país periférico e ainda reflexão sobre Gonçalo Ribeiro Telles e Cézanne

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1. A situação periférica de Portugal não permitiu que por cá passassem grandes tendências de cultura, nomeadamente no domínio da arquitectura.  Os grandes movimentos culturais na Europa nasceram noutros locais, sendo escassas as ocorrências por cá. Isso denota que, dos centros donde irradia, tal qual pedras atiradas a um lago, na cultura vai havendo também uma diluição sucessiva, em círculos cada vez mais esparsos - as periferias. Seria irrealista esperar encontrar em Portugal a profusão de monumentos romanos que existe, por exemplo, na Península Itálica, onde nasceu o Império Romano, ou o Neoclássico, que teve expressões frequentes na ruas de Paris ou de Londres. Diz-se que é Itália que tem o maior número de lugares classificados pela Unesco, a irradiação duma civilização faz-se do centro para as periferias naturalmente. A título de exemplo, sobre o que é um centro e uma periferia numa cidade como Lisboa nunca se pode esperar que a Amadora tenha mais interesse que o centro da capital.