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A mostrar mensagens de 2022

Às vezes as melhores ideias são as mais simples

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Uma das coisas mais brilhantes que saiu nos últimos tempos é a iniciativa "Aprendemos juntos" do BBVA. São dezenas e dezenas de conversas publicadas no Youtube, e assim disponíveis para toda a gente sobre os mais diversos assuntos, mas creio que com uma base comum que é a responsabilidade que cada um tem sobre a sua vida e a forma como conseguir uma vida mais plena e com sentido. Longe de ser uma panaceia de receitas simples e descartáveis, reconhece a dificuldade e complexidade das coisas, e através de testemunhos e do saber de quem lá vai, introduz quem ouve numa dinâmica de reflexão, que sai quase sempre motivado pelas palavras sábias dos entrevistados. Há uma tónica forte na vertente comportamental e em pensar nas ferramentas que temos, que podemos convocar e desenvolver para nos tornarmos mais preparados para enfrentar a vida, mais resilientes. Desde psicólogos e cientistas, a professores e treinadores, passando por escritores, todos que lidam com a experiência humana e

Dom Entusiasmo

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As pessoas que mais admiro são aquelas que vibram com as coisas, que encontram no dia-a-dia motivos renovados para se alegrarem. Mas isso leva-me a pensar no seguinte: da mesma maneira que temos um aparelho digestivo que processa os alimentos, a nossa vida emocional depende daquilo que entra em nós e da gestão que fazemos desses "alimentos", por assim dizer. Há uma digestão emocional que importa realizar. E veio-me ainda a seguinte ideia: ontem pensava que muitas vezes se acusa os advogados de terem feitios terríveis e serem mal-humorados. Creio que tal se deve, de facto, àquilo que deixam entrar em si e que acabam por não saber processar da maneira mais adequada. Em verdade, não é fácil, pois a carga emocional pode ser muito negativa e há como que uma espécie de "contaminação". Cuidar da nossa vida emocional é de facto uma higiene necessária. Viver contrariedades, dificuldades faz parte da nossa caminhada.  Em primeiro lugar devemos ganhar alguma distância, não abs

Napoleão Bonaparte

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Os armários onde o meu avô guardava a sua roupa tinham um cheiro muito típico: cheiravam a uma água-de-colónia da marca Roger Gallet, chamada "Jean Marie Farina" (aqui se denota o talvez não indiferente gosto francês do meu avô, que aliás viveu em Pau, nos Pirineus Franceses, até aos 15 anos). Diz-se que esta foi a primeira água-de-colónia, tendo-se tornado tão famosa e um artigo tão especial que Napoleão Bonaparte não a dispensava, mesmo nas suas batalhas... De facto, a marca desenvolveu um frasco comprido, que Napoleão Bonaparte colocava dentro das suas botas de montar e que levava para todo o lado. O meu avô, pelos vistos, também não dispensava Jean Marie Farina, o cheiro a que todos nós automaticamente o associamos. Nos últimos dias tenho estado a ler uma excelente biografia deste homem ("Napoleão, o homem por trás do Mito", de Adam Zamoyski, Crítica, Novembro de 2021), um dos poucos de quem se pode dizer com justiça que a sua vida terá mudado o curso da históri

Coisas para arrumar na cabeça

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O nosso cérebro é curioso. Existe nele uma tendência grande para a dispersão, para a indisciplina. É-me difícil seguir um fio condutor, pegar hoje no que foi o plano de trabalho do dia de ontem. No ano passado, tinha muito a ideia de escrever um romance intitulado " Fred Pery, o advogado peripatético ". Fui escrevendo algumas coisas, tentando fazer um plano coerente para o livro, acabei por ter muitas coisas escritas, desconexas, ideias difíceis de organizar. É um livro que me apetece fazer desde há muito. Traduz-se numa espécie de ensaio romanceado daquilo que me parece poder ser a minha profissão de advogado. Ultimamente tenho pensado que a profissão dá poucas oportunidades para viver o lado solar da vida e que ser advogado é carregar apenas o fardo das coisas - do que não é positivo. Dos conflitos, dos problemas burocráticos, das dificuldades. Frederico Pery é uma figura peculiar, pois em relação às coisas negativas da profissão não se deixa afectar por elas. Como consegue

Viktor Frankl e um aviso à vigilância e assim, e assim...

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Num ensaio que li há tempos chamado " O Homem à Busca dum Sentido ", mas a que voltei hoje,  Viktor Frankl toca num ponto que me deixou a pensar ao longo do dia: nas situações mais complexas, há certos seres humanos que são ainda assim capazes de gestos surpreendentes.  Diz ele: " A forma como um homem aceita o seu destino e todo o sofrimento que ele acarreta, a forma como carrega a sua cruz, concede-lhe bastas oportunidades - mesmo nas circunstâncias mais difíceis - para dar um sentido mais profundo à sua vida. Pode manter-se corajoso, digno e altruísta. Ou, durante a luta tenaz pela autopreservação, pode esquecer a sua dignidade humana e tornar-se pouco mais que um animal. Tem aí uma ocasião para aproveitar ou desperdiçar as oportunidades de alcançar os valores morais que uma situação difícil pode conceder-lhe. E aí se decide se é, ou não, digno dos seus sofrimentos (...) Entre os prisioneiros, só uma minoria manteve por inteiro a liberdade interior e alcançou os valor

Depressão

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Uma das piores doenças dos nossos dias é a depressão. Há muitas coisas que nos podem fazer sentir-nos tristes, levarmos uma vida triste. Encontrei recentemente uma pessoa triste, deprimida. Senti que a sua vida poderia ser melhor, mas também é verdade que as pessoas deprimidas também têm uma grande dificuldade de tomar decisões  que a façam sair desse estado. É difícil sair dum poço de onde não se vê a luz. Quase todas as pessoas passam na sua vida por períodos de depressão. Esta semana acabei de ler o livro Veva de Lima, da Joana Leitáo de Barros. É o retrato duma mulher interessante do séc. XX e os  seus últimos anos parecem ser o de uma pessoa que ficou como que prostrada, sem reacção; os golpes da vida podem deixar-nos assim, sem reacção. A vida realmente não é nada fácil.  Está estudado que uma pessoa deprimida tem uma certa tendência para se isolar, para evitar os outros. É uma tendência natural, mas o próprio sabe que isso cava ainda mais o seu estado de debilidade. Como quebrar

Portugal, país periférico e ainda reflexão sobre Gonçalo Ribeiro Telles e Cézanne

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1. A situação periférica de Portugal não permitiu que por cá passassem grandes tendências de cultura, nomeadamente no domínio da arquitectura.  Os grandes movimentos culturais na Europa nasceram noutros locais, sendo escassas as ocorrências por cá. Isso denota que, dos centros donde irradia, tal qual pedras atiradas a um lago, na cultura vai havendo também uma diluição sucessiva, em círculos cada vez mais esparsos - as periferias. Seria irrealista esperar encontrar em Portugal a profusão de monumentos romanos que existe, por exemplo, na Península Itálica, onde nasceu o Império Romano, ou o Neoclássico, que teve expressões frequentes na ruas de Paris ou de Londres. Diz-se que é Itália que tem o maior número de lugares classificados pela Unesco, a irradiação duma civilização faz-se do centro para as periferias naturalmente. A título de exemplo, sobre o que é um centro e uma periferia numa cidade como Lisboa nunca se pode esperar que a Amadora tenha mais interesse que o centro da capital.

Aveiro

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Por ordem alfabética Aveiro é a primeira capital de distrito de Portugal. Dizem dela que é a Veneza de Portugal; Hans Christian Anderson, o célebre escritor dinamarquês, em visita ao nosso país, passou também por aí e comparou-a antes com a Holanda (uma enorme área pantanosa), não ficando especialmente encantado pela sua beleza. Realmente, é bom não fazermos comparações. Do ponto de vista urbanístico, da estação ferroviária, percorre-se uma grande alameda até chegar a um centro pedonal em calçada portuguesa, dando a imagem de algo um tanto disforme e sem grande unidade, com um elevado número de edifícios construídos nos anos 70 e 80, alguns deles muito altos e de pouca qualidade arquitectónica. Na realidade, a cidade cresceu sem respeitar uma certa imagem global, não se encontrando quase nenhuns edifícios com mais de 100 anos.  Mesmo a Sé Catedral - de pequenas dimensões apesar do nome, apenas guarda o frontão maneirista, sendo tudo o resto uma amálgama pouco criteriosa de intervenções

Prece

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Ajuda-me Senhor a empregar o tempo que me dás a fazer coisas boas: a valorizar-me enquanto pessoa, aprendendo coisas novas ou aprofundando interesses antigos; a apreciar a beleza da natureza, duma paisagem ou duma bela obra de arte; a cuidar do meu interior como dum jardim, fazendo por criar em mim bons sentimentos e cortando as ervas daninhas; a cuidar dos meus amigos, tal qual flores que precisam de ser regadas com esmero e atenção. Dá-me Senhor a habilidade do jardineiro que sabe escolher a melhor espécie para cada lugar do meu jardim, atendendo à exposição solar e que tanto valoriza as árvores frondosas, como as humildes flores, cada uma dela, à sua maneira, elementos insubstituíveis do jardim.  Cria em mim Senhor uma vontade de servir o meu jardim, faça sol ou faça chuva. Sobretudo naqueles dias em que tudo parece mais negro, não deixes a minha vontade esmorecer porque há sempre a fazer neste jardim. E, quando chegar a Primavera e depois o Verão, deixa-me regozijar-me numa fresca

Os irmãos

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Pedro e Miguel nunca se entenderam. Eram água e azeite, que não se misturam. A principal diferença entre os dois era mais do que acreditarem em coisas diferentes - isso era uma consequência de carácteres diferentes, de personalidades muito distintas. A ideologia foi apenas um motivo que cristalizou o ódio e que foi incendiando mais e mais. Arrastaram um país para a guerra, uma guerra civil, que só terminou com o exílio dum e a morte pouco depois do outro. Nesse frémito das armas, Pedro dava o seu corpo às balas, por pouco não foi morto.  Inclino-me para achar que nenhum tinha razão: o ódio é um monstro de muitas cabeças e sem racionalidade - e o séc. XIX foi uma febre que incendiou, houve rachas tectónicas que se foram cavando. Pedro e Miguel, dois irmãos que se davam mal e que não se aguentaram quando o mundo em que nasceram tremeu. O conflito nasceu, o Brasil dum lado, Portugal do outro; foram vítimas das circunstâncias e só mesmo um trabalho grande interior permitiria que pudessem n

A hora legal e o Senhor Tempo

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Há um senhor que eu encontro no Chiado que se veste de fato e gabardine e que não gosta de grandes conversas. Passo por ele todos os dias, cumprimento-o, ele levanta o chapéu em gesto decidido, olha em frente e segue. Já tentei entabular conversa, perguntar o seu nome, perguntar o que faz, mas ele nunca me deu a oportunidade de parar um segundo. No outro dia encontrei-o junto às bancas de alfarrábios, ali na rua Achieta, era um Sábado, demorava-se remexendo em gravuras, mas entretanto, quando dele me aproximava, deram as badaladas da torre dos Mártires - e ele, em passo apressado, seguiu o seu caminho sem me ver. No dia seguinte, quando mudou a hora, no Domingo, encontrei-o impecavelmente vestido, na Brasileira, tomando um café ao balcão. Ouvi-o dizer que o relógio estava atrasado, que o deveriam acertar, que grande perigo adviria se não mudassem as horas do relógio. Entre as igrejas do Chiado e a Baixa, oiço regularmente as badaladas das torres sineiras darem as horas e não raro vejo

Uma avalanche de boas emoções

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As emoções são selectivas e gostam de andar em grupo, associando-se sempre em duas grandes famílias: a família das boas emoções e a das más emoções. Andam unidas, de mãos dadas, vão para todo o lado juntas. Há nelas uma tal solidariedade que o medo não gosta de estar sozinho e normalmente procura a ansiedade; esta por sua vez é muito amiga do nervosismo. A família é grande, vê-se nelas a marca da negatividade: umas delas são mais afins do que outras, como por exemplo entre a preocupação e a ansiedade notam-se parecenças evidentes como o senho vincado e as costas curvadas em sinal de peso que carregam. De tanto aparecer a preocupação, a ansiedade acabou por se sentar em permanência na sala - e insiste em não sair. Enquanto a negatividade se junta numa amálgama de dores e pesos, a outra família é mais ligeira e gosta do riso. Gosta de se passear no parque, apreciar os pores-do-sol e correr pela manhã junto ao rio, sentindo no rosto a frescura do dia a nascer e o cheiro a maresia. Sente-s

Sentir-se perdido

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No outro dia falava com um amigo meu artista que me dizia que se sentia perdido. Por vezes, acontece-me o mesmo. São tantas as coisas em que me meto, os projectos que construo na minha cabeça, que às tantas estou tão dividido. A vida interior busca a unidade. Tenta encontrar essas cordas que nos trazem a harmonia, com as quais podemos tocar uma melodia. Há cerca de 2 dias assistia a uma conferência BBVA em que o orador dizia que devemos começar sempre o nosso dia com aquilo que queremos, com o que são os nossos objectivos primeiros - depois disso teremos sempre tempo para aquilo que ele chamava o "infinito": as tarefas que se sucedem umas às outras, que prendem o nosso tempo; realmente há um horror ao vazio e é muito fácil que nos deixemos levar por essa torrente caudalosa das "coisas que temos que fazer". Se não criamos espaço na nossa vida para cultivar as flores que queremos, andaremos constantemente a ter que ir apanhar ervas daninhas; a ideia é, ao contrário, a

Este é um país para velhos... mas não nas Caldas!

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Ter visão na política é uma coisa essencial e um politico deve primeiro de tudo olhar para a realidade que o circunda para a interpelar. Para onde deveremos ir? O que faz falta a esta comunidade? Há cerca de 3/4 anos, conheci na Alemanha, mais concretamente em Estugarda, o antigo burgomestre desta importante cidade industrial do sul deste rico país, Wolfgang Schuster.  Falámos um bom bocado, tentámos perceber as diferenças entre a Alemanha e Portugal. Embora possa parecer estranho chegámos à conclusão que cá vigora uma cultura mais "top-down", enquanto que a inovação deve acontecer de forma horizontal. Aquela ideia que está enraizada de que não se pode, nem deve, fazer demais, ser notado, mas que o ideal é não "levantar" muitas ondas, deu políticos cá em Portugal como Fernando Seara em Sintra, que optou por deixar as coisas paradas. Ora, precisaríamos de pessoas dinâmicas, que tivessem a capacidade de mobilizar as pessoas, de encontrar objectivos. Na Alemanha, em Es

Paradise de Fauré

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Diz-se que Steve Jobs depois de ter voltado para a Apple decidiu abandonar uma série de projectos, a fim de concentrar a actividade da empresa naquilo que era mais importante.  Na nossa vida vamos constantemente criando projectos e mais projectos, dividindo-nos sempre em mil e uma coisas - e acabando por perder o foco. Há um livro de que gosto muito, que leio em francês, dum autor religioso, o Pe. Michel Quoist - "Réussir". Deu-me a minha avó, terá pertencido a um tio meu, o tio Duarte.  Uma das coisas que este livro defende é que é muito importante que nos saibamos concentrar. Primeiro parar, para nos concentrarmos, a fim de que possamos decidir para onde vai a nossa vida. Fala no poder da lupa, que concentra os feixes de luz num ponto ou, em contraste, das forças desgovernadas dum cavalo que, se não tiverem reunidas, representam um enorme desperdício de energia. A questão do desgoverno, é uma questão mental essencialmente, tem a ver com a forma como vivemos, onde aplicamos

Portugal a ficar para trás?

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Num muito claro e bem escrito ensaio publicado na edição saída este mês de Março na Revista Brotéria, o Prof. João César das Neves discorre sobre o nosso país e por que razão vamos ficando para trás em relação a outros países que entraram depois de nós na União Europeia. Sem simplismos e tendo noção de que não se explicam causas complexas com apenas uma ideia, João César das Neves desenvolve porém a sua opinião considerando que a razão que explica esse ficar para trás é essencialmente uma questão de falta de ambição. Assisti a uma conversa na semana passada, justamente na própria Brotéria, em que se apresentou este artigo e, de facto, acho que é um artigo certeiro em muitos aspectos. Toca também na extrema descapitalização do país, que não permite senão conceder baixos salários e que também aos empresários deixa pouco espaço para investirem, o que acaba por fazer-nos pensar que não nos temos sabido bem governar porque fomos vendendo os anéis todos e, agora, só nos restam os dedos (mas

O que é ser contemporâneo?

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A resposta a esta questão do que é ser contemporâneo, não pode ser dada em duas linhas. Evidentemente que ser contemporâneo não é ter que se vestir de acordo com a última moda, ou ter ser extravagante ao extremo, levando ao exagero o que poderia ser considerado como indicativo de uma atitude progressista: dois brincos na orelha, tatuagem na ponta do nariz... Se na verdade, há em todas as sociedades aqueles que desafiam as convenções e pretendem abri-la a novas experiências, a questão reside em saber se aquilo que foi novidade em certo momento não acabou por ser apenas um epifenómeno, que, com o tempo, se tornou também algo ultrapassado por uma nova tendência, i.e. que estávamos apenas a falar em moda, muito mais que duma atitude de fundo que realmente fizesse mudar algo. Uma das coisas que mais faz mudar a sociedade são os saltos tecnológicos. Com a revolução industrial deixa-se por exemplo de utilizar animas para a locomoção. Nesse sentido, quem não adivinhou que isso iria mudar para

A Senhora

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Certa tarde, no crepúsculo, dum bonito jardim espreitei através duma janela para ver se via alguém... Sentada muito direita com uma das mãos apoiada na testa, uma linda senhora, de faces rosadas e olhos fechados, mostrou-se diante de mim. Pus-me a observar... Nesse final de tarde de Outono, uma lareira expirava para a grand e  sala, dando um embalo constante àquela senhora imóvel, que se sentava por perto, naquele sofá. A senhora respirava lentamente, por vezes movendo a sua mão esquerda,  que sustinha a cabeça, ou ajeitando com a direita alguma coisa que  guardava nela fechada e que eu não conseguia ver. Pus-me ,  de seguida, a imaginar...   Embora já escura a sala, aquele recanto da senhora  à  lareira dizia-me que  ali   havia vida  -   e ra, seguramente ,  uma casa de família. E, então , na paz daquele rosto semi-cerrado , tentei contar uma história por cada um dos vincos na sua face, que uma vida já longa fora juntando. Naquela sala iluminada pel o fogo da  lareira

É aí que a nossa vida acontece...

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E se o perto nos salvasse?! Entre o viajar para longe ou encontrar no perto, entre a quantidade e a qualidade , talvez não seja tão estúpido assim procurar no aqui e no agora. A escolha do perto e do possível.  E a escolha pela qualidade é mesmo uma escolha, que obriga a prescindir. A optar por isto, por estar aqui sossegado, neste cantinho a ler, ao sol, em vez de ir ao supermercado, de ir comprar o jornal, de ir ao café, de fazer zapping na televisão. A salvação estará do outro lado do mundo à nossa espera? Só de forma ilusória. Lembro-me de alguém me dizer que "se não estás bem, não é do outro lado do mundo que irás encontrar o que te salva".  O que não nos salva certamente é ficarmos fechados com o que temos, não olhar em profundidade e para além, não acreditarmos que tudo tem um mistério, que há uma história que se pode contar. A realidade pede-nos ouvidos atentos. E pede-nos também rituais.  Quem acha que ficar sossegado é ficar fechado, muito se engana. Contemplar é