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Polemizar/Polenizar

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Quando penso no que deve ser a cultura, penso normalmente na ideia de diálogo, ou na ideia de interrogação.  Tendo estado este início de manhã a pensar que vida cultural existirá em Lisboa, não pude deixar de fazer um périplo sobre as várias dimensões a que o termo "vida cultural" nos remete: uma certa pobreza quanto a museus (que grande museu existe em Lisboa que nos convide a percorrer boas exposições? Nada que se compare a uma Paris ou Madrid); por contraste, por cá, uma programação muito vasta de acontecimentos musicais, onde se incluem festivais; também os há de cinema (semana do cinema francês, ou do cinema italiano, só para dar dois exemplos, mas há para todos os gostos como o "Doclisboa", ou mesmo a "festa" do cinema do terror como o "MoteLx"...)  Festivais: algo mais efémero do que o que um museu pode proporcionar - um museu que se preocupe com uma programação criteriosa, que dê a oportunidade de criar vínculos com as pessoas e com a cid

Elle vit aparaître le matin, elle se tut discretement

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Tenho no meu quarto um quadro de Tom Sawyer e de Huckleberry Finn a correrem junto ao Mississipi. É uma imagem um tanto ou quanto infantil, mas que me serve para recordar que ser alegre é uma conquista, algo para me motivar a dar um salto da cama todos os dias, com entusiasmo ("entusiasmo" um substantivo em que Tom Sawyer, este "filho pródigo" era pródigo, passo o pleonasmo...)  São pequenos gestos como este que podem fazer a diferença de como nos vamos sentindo diariamente: a forma como acordamos (disse-se que quando rabujamos, "acordámos para o lado esquerdo"...), ou o gesto de preparar a roupa do dia seguinte, por exemplo. Coisas que fazíamos quando éramos pequenos para preparar o dia seguinte do colégio. Aquele entusiasmo infantil que tínhamos e que é igual ao de Tom e Huck, ou aquele "trabalho invisível" de não deixar as coisas à toa e preparar o saco de ginástica para o jogo de futebol que se jogará no recreio do almoço, ou deitar-nos cedo

Torna-te aquilo que és

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James Martin, sj, tem um livro que eu este fim-de-semana, enquanto fazia arrumações às minhas estantes (biblioteca soaria pedante?!), tenho estado a ler e que vem muito a propósito: "Torna-te aquilo que és" (Paulinas, 2009), uma simples, mas muito interpelante reflexão sobre o monge trapista Thomas Merton. Pela minha janela, entra uma brisa fresca, uma luz simpática e o edificado amansardado desta Lisboa bonita de bom clima, enquanto toca a Smooth FM (excelente rádio!) e me sinto satisfeito por uma garrafa de rosé bem agradável.  Este tempo para mim é tão importante!  Ontem estive a passear com a minha querida sobrinha, a Nanã, por Lisboa - e olho agora para a fotografia dela ali na mesa, com um chapéu de palha e um grande sinal na cabeça que lhe dá personalidade (mais pequeno do que o do Gorbatchov, mas ainda assim uma marca única, que espero que nunca tire; Gorbatchov é a prova de que a consciência é possível. A Nanã é a prova de que o espírito de Deus sopra. Admiro Gorbatc

Qual é a tua "praia"?!

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É frequente utilizar a metáfora da praia para falar dos cristãos e de Jesus. É uma imagem que neste tempo estival, redobrada oportunidade terá - ainda ontem fui à praia, à praia da Aguda, perto de Fontanelas, em Sintra.  Nós, enquanto seres de hábitos e de sociabilidade, temos uma tendência natural em nos darmos em círculos mais ou menos fechados, em nos atribuirmos pertenças - senão mesmo exclusividades. Nesse sentido, a minha praia de infância e juventude sempre foi a Praia Grande, em Colares. E é verdade que tínhamos além duma identificação por completo com a Praia Grande a mania de atribuirmos, mesmo dentro da praia, zonas próprias e zonas "pouco adequadas". Assim, havia dentro da praia a zona onde estávamos: os toldos à frente da Casa da Galé, e o remanescente era o sítio dos "parolos" (todo o resto, à direita ou esquerda). Deveríamos ir à Praia Grande, mas não era apenas a essa praia, era a um local específico dentro dela (by the way, parece que o Pres. da CMS

Ser feliz como um peixe na água? E se fosse verdade?

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Tive hoje um almoço com o meu amigo Nuno Cunha Rolo na Gulbenkian e estivemos a conversar sobre o que é uma "vida bem-sucedida".  Apesar de achar que não vivermos "com a corda na garganta" é muito importante, concordo essencialmente de que o meu objectivo na vida não é ser "milionário".  Recentemente comprei uma série de livros na Livraria Bertrand sobre melhoria pessoal. Um dos livros que me tem surpreendido muito pela positiva é o livro "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" (Gradiva). O título deste livro de que o Duarte Stilwell já me falara é francamente mau e não expressa a riqueza dos seus conteúdos, passando muito mais por um livro tipo para "formação de vendas", do que na realidade um livro sobre transformação pessoal, que é. O autor é Stephen Covey de quem assisti esta semana a vídeos em que o próprio fala sobre os 2 primeiros capítulos: que temos ser mestres da nossa vida (ou seja que a atitude é muito importante,

As Madalenas de Proust

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De cheiros está a minha memória cheia: Do cheiro a madeira do elevador de casa da minha avó Da palha no Verão no Tojal; da relva acabada de cortar Do cheiro do primo Martim; da água-de-colónia do avô; ou duma bola de ténis Do metro de Paris e do manjerico das festas populares De sabores também: do sabor do doce de castanha com nozes Do sabor do chocolate, do sabor a mar das amêijoas Do sabor de um sumo de tomate, que deixa no fim um mau trago Do sabor do foie groie,  numa torrada bem feita Do sabor duma cerveja, acompanhada de marisco De sensações do tacto também: da sensação duma cama acabada de fazer Da sensação duma tolha turca, depois de um bom duche Da sensação dum abraço, ou de roupa confortável Da sensação do encontrão numa partida de futebol Da sensação de um mergulho no mar frio De sons também: do som das ondas do mar Do som da água a correr na banheira, ou numa fonte Do som dos cânticos de Natal Do som de alguém a chamar por mim Do som de

Um dia estranho

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                                            Faz agora três anos creio, peguei em mim e fui. Fui para o fora, para os campos doirados. Meti-me num combóio, vi o desfiar das paisagens, fiz-me testemunha de conversas dum grupo, de coisas importantes, de como viver em conjunto, fazer planos. Encontrei-me ainda cara-a-cara com outras pessoas, pessoas generosas que se fizeram presença: Ema, professora universitária; José, ex-paraquedista.  Percorri um espaço de paz nesse Convento da Flor da Rosa e aí soltei um pássaro que estava aprisionado numa torre, sem conseguir sair em liberdade. Com coragem, peguei-o com as minhas mãos e pu-lo a voar. Nas minhas mãos, que o prenderam para o soltar, colaram-se penas, algumas penas do aflito animal.  Trovejou, choveu - o dia estava estranho.  Foi boa a conversa com o José, apesar do cansaço para as despesas da mesma; falou-me dos seus amigos, de gente importante do direito e da economia. Falou-me das suas imperfeições, afinal das imperfeições dos home