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A mostrar mensagens de 2009

Os Fernão de Magalhães do século XXI

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Laura Dekker é uma rapariga holandesa que fez recentemente 14 anos. Nasceu a bordo dum iate, pois os seus pais passaram vários anos no mar, em viagem pelo mundo. A sua história cruzou-se com as nossas, pois atónitos, assistimos à notícia do seu desaparecimento. Foi encontrada um ou dois dias depois, a cerca de 5.000 km de casa, nas Antilhas holandesas e trazida de volta. A razão do seu desaparecimento tem que ver com o facto notável de estar a travar-se uma discussão jurídica, que pelos vistos parece estar a apaixonar a sociedade holandesa, sobre se ela pode empreender aquilo para que diz estar preparada: dar a volta ao mundo em solitária! Antes de mais, surpreende-me o cuidado com a questão está a ser vista pelas autoridades. Todos sabemos o artificialismo em que consiste estabelecer uma idade para a maioridade: há quem não a tenha aos 20, aos 30 até... e há quem com 16 anos seja uma pessoa perfeitamente capaz de decidir com maturidade. Obviamente que esta rapariga, por mais madura

Laura Dekker

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Laura Dekker "S he was born on a boat, the child of sailors, but a teenager’s hopes of becoming the youngest person to sail around the world solo capsized yesterday. A Dutch judge told Laura Dekker, 14, that she must put her ambitions on hold until July next year after a two-month investigation cast doubt on her ability to safely cope with the rigours of a journey that could last two years. The young sailor, who said she was disappointed at the ruling, faces a race against time to train herself before another court hearing in July, but is determined to push ahead. “Initially, her reaction was disappointment,” Mariska Woertman, a family spokesman, said. “But after I explained, she agreed these eight months would be enough for her to fully prepare and convince the court that she is ready.” The record is held by British sailor Mike Perham, who completed the daunting, nine-month challenge in August, aged 17 years and 164 days. Judge Mirjam Oostendorp said the investigation by

Best email of the week

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Uma velha chinesa tinha dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Todos os dias ela ía ao rio buscar água, e ao fim da longa caminhada do rio até casa o vaso perfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meio vazio. Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água. Naturalmente o vaso perfeito tinha muito orgulho do seu próprio resultado - e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer. Ao fim de dois anos, reflectindo sobre a sua própria amarga derrota de ser "rachado", durante o caminho para o rio o vaso rachado disse à Senhora : "Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até sua casa ..." A velhinha sorriu: "Reparaste que lindas flores

Um presente de Natal para Saramago

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Nas minhas voltas atempadas pelo Chiado na procura do presente mais indicado de Natal para dar ao meu amigo José Saramago, estava sem saber por onde começar. Tinha que escolher bem, pois sei que ele é pessoa que aprecia algo bem pensado. Acabei as minhas voltas sem nada de realmente interessante para lhe dar e eu sou um bocado assim, se não vejo nada interessante, não compro a primeira coisa que me aparece à frente. Não gosto que o Natal seja uma ocasião para se gastar só por gastar, e lembro-me de uma mãe dum antigo meu aluno me dizer que na família eram todos Testemunhas de Jeová e que não alinhavam no espírito consumista do Natal. Dou-lhe inteira razão, é uma oportunidade para se gastar, ou uma oportunidade para se viver num espírito - espírito que é o verdadeiro espírito de Natal - praticando os valores da amizade, da comunhão, da família ? Enfim nessa minha volta pelo Chiado, não encontrara nada e ía já pela rua Garret para o Parque do Camões, quando deito o olho às bancas de ven

Se quiseres conhecer uma pessoa...

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"Se quiseres conhecer uma pessoa, não lhe perguntes o que pensa, mas sim o que ama" - uma boa frase de Santo Agostinho para meditar... Tenho estado a ler um livro de Graham Greene "Monsignor Quixote" em que se conta a história de um padre D. Quixote que parte em viagem no seu velho Seat ("o Rocinante"), acompanhado, imagine-se... por um comunista, o antigo alcaide de El Toboso ("Sancho"). Estou-me a deliciar com a graça e "wit" deste livro, com os diálogos entre os dois, sempre acompanhados de pinga... Separa-os um grande fosso, mas se calhar, há algo que os une... e eu penso que é o facto de se considerarem mutuamente humanos e de não anularem o outro. Se as pessoas se dessem ao trabalho de conhecer melhor as pessoas que as rodeiam, penso que iriam compreender que há mais coisas que nos unem, que coisas que nos separam. Daqui talvez a brutalidade da política que separa mais que une, simplesmente porque o que está em cima da

O entusiasmo e a educação

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"Quando li as aventuras de Tom Sawyer fiquei fascinado pela personalidade deste rapaz. Um rapaz que se sentia sempre impelido para aventuras. Um rapaz de imaginação fértil que vivia juntamente com o seu irmão Sid (em tudo o seu oposto: ajuizado, cumpridor, ”um bom rapazinho”), com uma sua tia, a Tia Polly. Para Tom a vida era mais cativante e rica do que as coisas que o faziam aprender na escola (sobretudo na escola dominical onde o obrigavam a decorar trechos da Bíblia de cor). Para ele eram incrivelmente mais aliciantes os bichinhos que ele recolhia no campo e com que brincava e que martirizava com jogos. As superstições sobre como curar verrugas, em rituais complexos e difíceis. A sua imaginação, avesso que era à disciplina que lhe impunham, levava-o em perigosas aventuras, normalmente com Huckleberry Finn (Huck) e, por vezes, com Joe Harper . Era a Tia que o castigava por faltar à escola e ir brincar para o rio Mississipi; era a Tia que com ele se zangava – e ele fazendo-

A vida como um barco

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“Frente à costa encontra-se fundeado um veleiro de 4 mastros que converte o mar num anacronismo e também num convite. Navegar! Que enorme metáfora da vida inteligente! Este barco que se balança na reverberação do sol é uma criação da inteligência humana para aproveitar em seu favor as forças que estão contra si, e assim apoderar-se do mar. Um bom timoneiro sabe navegar contra o vento, servindo-se do empurrão do vento que previamente confundiu e capturou entre as velas. O vento extraviado sai por onde pode, que é por onde o navegador quer. Esse hábil navegar, dando bordos, cingindo-se a uma amurada e logo a outra, num ziguezague que engana as ondas, permite-lhe avançar para barlavento, oferecendo a cara ao ar encrespado, que é o que, antes ou depois, temos todos de fazer. Navegar é uma vitória da vontade sobre o determinismo”. “Criamos à força de esforços. Mantemos suspenso o orbe dos valores e da dignidade humana, prestes a desabar se claudicamos. Criar é sacudir a inércia, manter

Ser um bom professor

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Que qualidades precisa um professor de crianças e jovens ter? Eu acho que a principal qualidade deve ser o entusiasmo. Um professor deve ser uma pessoa que crê com uma grande intensidade nos seus púpilos. Que vê neles coisas muito boas, que aposta neles, que espera deles muito. Tem que ser uma pessoa de bem com a vida, que vê prazer nas coisas. O Diário do Sebastião da Gama é um primor nestes aspectos: um professor que crê enormemente nos seus alunos, que os acompanha diariamente, que nota neles progressos. Há lá páginas deliciosas: ele tem um pequeno grupo de alunos e faz semanas temáticas. Pede aos alunos para fazer composições. Diz que a Gramática é algo de que os alunos não gostam, é como dissecar um cadáver. Por isso não insiste logo ao princípio nisso. Quando há pássaros a passar, prefere talvez parar a aula e falar sobre isso. Um professor deve estar atento. E ele está e muito. Fala com os alunos. Fala também com o seu orientador. Medita o que faz. Exprime também os seus sen

Alguns devaneios

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Alguns dos meus amigos estrangeiros falam de Portugal como sítio para viver. Comparam-no por ex. à Alemanha e à Holanda. Em Portugal ainda há tempo para viver, nem todas as relações humanas se pautam por um “toma lá, dá cá”. Há uns anos cheguei ao Porto, vindo de Espanha, para apanhar o comboio e a senhora do guichet vendo que eu não trazia dinheiro suficiente tirou-o do seu bolso e deu-mo. Não me conhecia de lado nenhum.  No meu dia-a-dia vejo pessoas generosas. Pessoas que são alegres no trabalho, que conversam com os outros, que são caridosas com os mais sós, etc. É agradável viver neste país. Vejo ainda que há qualidade humana no relacionamento entre as pessoas e isso deixa-me satisfeito. Gostaria que as pessoas conversassem mais, que se dessem mais. Que dessem menos tempo à televisão por ex. É das tais coisas que se dispensaria. Perde-se mito tempo a ver coisas vem qualquer importância, muitas delas estúpidas, quantas delas também estupidificantes. Mas não sou adepto de um elit

Sensações

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De cheiros está a minha memória cheia, Do cheiro a madeira do elevador de casa da minha avó Da palha no Verão no Tojal; da relva acabada de cortar Do cheiro do Martim; da água-de-colónia do avô; e daquele dos bebés Do metro de Paris e do manjerico das festas populares. De sabores também: do sabor do doce de castanha com nozes, Do sabor do chocolate, do sabor a mar das amêijoas, Do sabor de um sumo de tomate que deixa no fim um mau sabor, Do sabor do foie graie numa torrada bem feita, Do sabor duma cerveja acompanhada de marisco. De sensações também: da sensação duma cama acabada de fazer, Da sensação duma tolha turca depois de um bom banho ou duche, Da sensação dum abraço, da sensação duma roupa confortável, Da sensação do encontrão numa partida de futebol, Da sensação de um mergulho no mar frio. De sons também: do som das ondas do mar, Do som da água a correr na banheira ou numa fonte, Do som dos cânticos de Natal Do som de alguém a chamar por mim Do som de crianças a brincar. De i

Concretizar

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Desperta-me uma coisa: a necessidade de agir. Muitas coisas não chegaram a sair de ser locubroções mentais. Possivelmente boas locubroções mentais, bem estruturadas, com pernas para andar. Mas a questão é uma questão não apenas para ser elaborada, o que é, sem dúvida, um passo importante, essencial, mas para também e aqui é o mais importante, para ser posta em prática. De que servem muitos planos, muitas estratégias se, depois, tudo não é posto em prática ou é posto de um modo absolutamente deficiente ? De pouco. É muito importante não me dispersar. Será que sei para onde vou? Com quem vou? Como vou ?

Momentos em que me perco

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Contam histórias a meu respeito sobre a minha distracção. Eu diria antes “dis-traição”. A distração é uma espécie de auto-traição. Uma viagem, um conjunto excelente de oportunidades para exercer esta minha peculiaridade. O bilhete de avião onde está? Em que bolsa? Em que bolso? Dentro do livro que levo na mão? Uma azáfama, a preocupação no rosto, um querer assegurar aos outros que está tudo bem… Um dia perdido em Roma a tratar do bilhete de volta que se perdera; um chegar ao aeroporto de Paris às 7h00 da manhã e ter-me esquecido do bilhete no quarto e ter que pagar muito mais por um novo bilhete; uma mudança de comboio de um TGV para um outro e, na pressa, uma mochila cheia de coisas a ficar para trás. Esqueci-me de alguma coisa ao fazer a mala? O pijama é clássico. Mas o pior é a volta: há sempre umas cuecas sujas que ficam pelo caminho. Já por várias vezes amigos meus me disseram esqueceste-te cá de umas “coisas”. Uma vez foi uma amiga minha que, num jantar me disse isso e depois

Em rota!

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"Os meus olhos são uns olhos, e é com esses olhos que eu vejo no mundo escolhos,onde outros, com outros olhos, não vêem escolhos nenhuns.Quem diz escolhos, diz flores! De tudo o mesmo se diz! Onde uns vêem luto e dores, uns outros descobrem cores do mais formoso matiz.Pelas ruas e estradas onde passa tanta gente, uns vêem pedras pisadas, mas outros gnomos e fadas num halo resplandecente!! Inútil seguir vizinhos, querer ser depois ou ser antes. Cada um é seus caminhos! Onde Sancho vê moinhos, D.Quixote vê gigantes. Vê moinhos? São moinhos! Vê gigantes? São gigantes!" António Gedeão ------------------------------ Rota do Cabo... Cabos inultrapassáveis e monstros tenebrosos eram as histórias que se contavam. Alguns... não poucos... naufrágios... O "Cabo Não" já ficarara para trás. Um caminho já se fazia desenhar e serpentear naquela costa. Podíamos avançar mais. E então e o abismo?! O Príncipe Perfeito ordenou que se fosse mais para Sul - haverá passagem algures?

Contadores de historias

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Abraham Lincoln, o mais peculiar e interessante dos Presidentes Norte-Americanos - na minha opinião - tinha tal talento para contar histórias, que vinham ter com ele para contar algum problema e ele com a sua graça e jeito especiais punha o seu longo braço à volta do pescoço dessa pessoa e dizia: "isso lembra-me aquele episodio...". E assim começava a relatar uma longa história... com expressividade e cheio de vivacidade. Entretanto a pessoa que tinha esse problema, esquecia-se dele e só se apercebia novamente da sua existência quando já se despedira de Abe, com um forte aperto-de-mão ! Esta faceta anedótica de Abraham Lincoln, faz-me pensar no poder evocativo de uma história, e até, do seu poder terapêutico. Um bom contador de histórias é uma pessoa que sempre será querida pelas pessoas que a rodeiam. Relatar uma história com talento, com cambiantes de voz e cambiantes de ritmo, produzindo no ouvinte um vivenciar de emoções diversas é uma qualidade que certamente nem todos t

Manifesto a Favor dos Pedagogos

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Há quem diga que se educa mais pelo exemplo do que por palavras. Concordo. Mas não posso deixar de dizer que nas atitudes, na nossa postura, quando falamos de exemplo falamos também na mensagem corporal que transmitimos. A linguação corporal, a expressão do nosso rosto, valem muitas vezes por muitas palavras. Lembro-me do Pre. Burguete, jesuíta que nos deixou há poucos anos, quando parava nas suas missas porque tocava um telemóvel... não era preciso nenhuma palavra: a sua expressão dizia tudo e todos a compreendiam. A eficácia da nossa mensagem tem que ver com o que somos e com a verdade e a densidade que transmitimos, ou deixamos de transmitir. O pedagogo é um "filósofo activo", na expressão que agora invento. A sua sabedoria vale enquanto e na medida em que a utiliza. E é ou tem que ser um comunicador. Um comunicador na acepção vasta que utilizo atrás: não é apenas a palavra que vale, é toda a expressão da sua personalidade que chega aos outros e que é entendida.

Lançamento a 21 de Junho, em Sintra

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O lançamento do livro " Uma Educação com Sentido. Reflexão sobre a Escola, hoje " decorreu com bastante sucesso na Quinta da Regaleira, em Sintra e temos a agradecer a cordialidade da Administração da Fundação CulturSintra no acolhimento do evento, neste espaço público que é da sua gestão. Tudo começou com um debate subordinado à temática: "Que Escola, hoje?" , apresentado pelo Senhor Vereador da Educação da Câmara Municipal de Sintra, e com a apresentação das seguintes comunicações: 1. Que sociedade esta? Uma narrativa. Contextos Educativos. Prof. Dr. José Manuel Arrobas, psicoterapeuta 2. Boas práticas nas escolas. Eng.º Diogo Simões Pereira, Director-Geral da Associação Empresários para a Inclusão Social 3. O Director enquanto dinamizador da escola. Dr. Carlos Figueira, Director do Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras Ao debate seguiu-se a apresentação do livro que ficou a cargo da Dra. Sofia Cabral Menéres, investigadora na Simon Fraser University (Vancouve

Feed-back ao livro "Uma Educação com Sentido. Reflexão sobre a Escola, hoje"

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Já teve oportunidade de ler o livro "Uma Educação com Sentido. Reflexão sobre a Escola, hoje" ? Este é o espaço certo para escrever sobre aquilo que o livro lhe suscitou...