Pedro Morgado na Brotéria (Tempo de Exaustão)
"Faltam-nos hoje não apenas mestres da vida interior, mas simplesmente da vida. De uma vida total, de uma existência digna de ser vivida. Faltam cartógrafos e testemunhas do coração humano, dos seus infindos e árduos caminhos, mas também dos nossos cotidianos, onde tudo não é, e é, extraordinariamente simples. Falta-nos uma nova gramática, que concilie, no concreto, os termos que a nossa cultura tem por inconciliáveis: razão e sensibilidade, eficácia e afetos, individualidade e compromisso social, gestão e compaixão, espiritualidade e sentidos, eternidade e instante. Será que do instante dos sentidos podemos fazer uma mística? Não tenhamos dúvidas, o que está dito permanece ainda por dizer."
José Tolentino de Mendonça, in a Mística do Instante
Pedro Morgado, Psiquiatra, docente da Escola de Medicina da Universidade do Minho assina um ensaio na edição da Revista Brotéria de Dezembro de 2025 que interpela a forma como vivemos hoje. O título do ensaio é "Tempo de Exaustão" e merece muito, muito a pena ser lido. Hoje irá estar em conversa na Brotéria às 19h00. Pedro Morgado faz um retrato realista da nossa sociedade, com a desagregação de espaços de encontro e de comunidade, numa época digital que não promove o verdadeiro contacto humano. Já muitos falam disto, desde Byung-Chul Han (mais pessimista) a um Josep Maria Esquirol (mais optimista). A tónica de Pedro Morgado é a de nos despertar, uma espécie de banho de água fria, mas dá-nos as pistas para mudar, com pistas válidas. Mas essa mudança exige passos decididos. Diz-nos Morgado: "entre o estímulo e a resposta, entre a pressão e a reacção, há um espaço... as nossas escolhas fazem a diferença". As pistas para encontrarmos a saída deste labirinto são: o elogio do ócio; a reconstrução da comunidade; a urgência da acção cívica e a revolução do cuidar.Escrevi o "Livro de Frederico Pery", que apresento no dia 16 de Julho. Acho que muito do livro aborda estas importantes temáticas no âmbito duma profissão particular: a advocacia. A procura das fadas, entre os fados e os fardos. Numa sociedade em que todos parecemos muito ocupados e sem tempo.

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