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Servidão Humana

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Philip, um jovem com pé boto é a personagem que Somerset Maugham retrata no seu extenso livro "Servidão Humana". Do pai médico, que morre ainda ele não era nascido e da mãe que morre pouco tempo na sequência do parto, a vida de Philip parece uma continuação de partos mal sucedidos e de vidas que fenecem.    Numa escrita que é um trabalho meticuloso, Maugham apresenta-nos o ser humano mergulhado nas múltiplas contingências da vida: o tio pastor e a tia reprimida, mas com amor para dar; a escola onde os outros o escarneces por causa do seu pé defeituoso; as amizade e os sentimentos complexos como o da admiração/inveja. Ou a religiosidade imposta.    Dá-se então o facto de - quase por desespero, rasgar-se uma janela de liberdade: a ida para a Alemanha, para Heidelberg e o encontro com a diferença. E segue-se a tentativa de se encaixar de novo, abraçando uma profissão convencional, a de contabilista. E, depois, um novo rasgar com a partida para Paris, p...

Que a luz nos ilumine

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Por vezes já tenho pensado em como funcionaria tão melhor este País se vivêssemos com metade, 1/3 da nossa população. Menos trânsito, menos gente nas repartições públicas, menos confusão. Hoje, dia de greve geral, a estrada parecia um passeio ameno, num dia bonito e solarengo. Foi essa a minha experiência de A16 e de CREL, outras pessoas tiverem menos sorte do que eu. Greve geral. Hoje à noite verei as notícias. Outro apontamento. Paulo Portas no Conselho de Segurança das Nações Unidas: Portugal continua a trabalhar para que a Língua Portuguesa seja língua de trabalho. Boa notícia. Ontem, Cidadela de Cascais, inauguração. Boa notícia essa a da recuperação daquela que foi a residência de Verão dos nossos últimos reis e de Presidentes da República. Não se sabe ainda bem qual a sua função, mas não deixa de ser um óptima notícia a recuperação daquele património. Ao lado uma nova Pousada. Oxalá esteja bom tempo no próximo fim-de-semana. Sabe sempre tão melhor um dia de sol qu...

A Esperança segundo o Papa e JH Saraiva

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Acabei recentemente de ler a Encíclica do Papa Bento XVI a "Esperança Cristã", 38 páginas claras e bem construídas. O que fica da sua leitura são sentimentos contrários: por um lado a exposição duma fé num mundo que há-de vir, e a elisão de toda e qualquer pretensão de que este mundo será possível atingir nesta terra; por outro lado, o sentimento de que o Homem não vê senão por "apalpadelas" a eternidade e nela se manifesta a impotência que temos  - e por aí é um documento verdadeiro e, ao mesmo tempo, também muito  desconcertante, porque não nos dá certezas absolutas... Daí os sentimentos contrários: por um lado a paz, por outro lado, o não ver o horizonte. Talvez possa ajudar nisto a experiência que podemos aproveitar de pessoas que viveram situações limite: ouvi já relatos impressionantes de histórias assim, de pessoas que se sentiram fora do seu corpo, a olharem para si do alto duma sala de operações por ex., a verem a sua vida em r...

A vida está séria demais!

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O riso é um elemento fundamental para o nosso bem-estar e não é conveniente que a vida seja levada demasiado a sério. São tantas as contingências, internas e externas, que o melhor mesmo é ter uma atitude de desprendimente e de sã surpresa pelo inesperado que sempre espreita ao virar da esquina. Um exemplo? Nos últimos dias as resistências do meu termo-acumulador deram de si e tenho andado a tomar duche de água fria. Quer felizmente o tempo manter-se veraneante, pois foram outras as condições climatéricas e iria tremer até à raiz dos ossos! Estarei esta semana como o meu amigo José Losada, pessoa que conheci em Coimbra, há cerca de 5 anos, onde ambos fizemos uma pós-graduação na clássica Faculdade de Direito. Encontrávamo-nos todas as 6.ªs feira ao final do dia e depois das aulas íamos jantar àquelas tascas fantásticas da baixa de Coimbra. A mais frequentada era a do "Zé Neto", onde o próprio do Zé Neto, senhor dos velhos tempos e mestre na arte do servir, nos prepar...

Raúl Lino versus Modernismo

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Sendo uma pessoa que gosta profundamente de Sintra, da sua Serra fecunda de espécies, do pituresco da sua arquitectura, não podia deixar de gostar também do arquitecto Raúl Lino. A atenção ao detalhe, a procura de inserção de cada uma das suas obras na envolvência, nos condicionantes do local e a procura de linhas bonitas e elegantes, mas também simples, em muito se podem associar ao próprio carácter de Sintra. Sintra é pituresca. Sintra não se casa muito bem com volumes grandes. O debate que se lançou com a homenagem que a Gulbenkian quis fazer a esta figura da nossa arquitectura, ainda julgo na década 60, com tantos modernistas a se indignarem, reveste ainda muito interesse porque põe em confronto duas posições arquitectónicas distintas: uma arquitectura baseada no local, diria indutiva; uma arquitectura universal, diria dedutiva. O exemplo que encontro duma arquitectura dedutiva é a Casa da Música no Porto: tal como metorito caído do espaço "aterra" com estrondo n...

(Sobre a liberdade), O grito da consciência, do direito à indignação...

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"O primeiro pilar da liberdade i-online André Abrantes Amaral, Publicado em 10 de Setembro de 2011 É a dignidade que advém de um elevado código ético e moral que nos leva à necessidade de fiscalizar o Estado. Desde aquela manhã de Setembro que sentimos que algo de sagrado e conquistado com sacrifício nos foge. Tanto o Setembro de 2001 como o de 2008 trouxeram mais desconfiança e menos liberdade. O medo e a inveja, as armas dos poderes autoritários, vieram novamente ao de cima clamando por justiça. Qual pode ser a resposta à ameaça a que assistimos contra a liberdade? Eu arriscaria a consciência. A liberdade de consciência que supera as visões mais limitadas da política, os pequenos egoísmos que nos conduzem a vitórias ridículas. Aquilo que nos permite viver de acordo com os princípios que queremos rejam a vida em comunidade. É a percepção da liberdade individual que nos faz exigir respeito pelas nossas escolhas e nos obriga a respeitar as opções dos outros. Foi se...

Liberdade de Expressão

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Muitos dizem que a liberdade de expressão não tem assim tanta importância, eu acho que tem.  É tão bom poder dizer o que nos apetece, sem ter que esperar aprovação. É tão bom poder viver num país em que não temos que esperar que venha alguém dizer que "isto podes dizer", "aquilo tens que riscar". Penso que não conseguiria viver num país em que houvesse censura. Estou a fazer um levantamento da história do Cinema Tivoli e parece que a censura também tocava lá... que irritante que é virem uns tipos dizerem o que temos que fazer. Preso muito este direito à livre-expressão e penso que seria um desalinhado caso me impusessem o que dizer. Só o facto de saber que há censura, só isso me irritaria solenemente e me faria pisar o "risco". Gosto de dizer o que penso, sem ter preocupações. Com respeito pelo outro. Mas não é apenas um país que pode não ter liberdade de expressão. Na sociedade há grupos em que não se diz o que se pensa. Na Administração Pública, n...