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Fidelidade

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Sou fiel. Sou fiel hoje. Sou fiel hoje, aqui. Sou fiel hoje e aqui. Sou fiel hoje e aqui, sempre. Sou fiel hoje e aqui e sempre. A mim próprio, à vida. Ao minuto que corre e que o segundo apanha. Fui fiel. Fui fiel hoje, aqui, hoje e aqui, sempre, hoje aqui e sempre. Fiel por muito que custe. Porque de hoje, de ontem, me pergunto: porque terá aquilo acontecido? E, intranquilo, não me permito viver na paz da insuficiência e da imperfeição. Mas em toda a pressa eficaz, o espírito retrai-se, e, muitas vezes, na insuficiência, na imperfeição, na lentidão, a verdade sente-se mais à vontade, e eu não pretendo fazer-me perfeito, só porque aí deixo de ser fiel. Sou fiel, apesar de tudo. Apesar da insuficiência, da imperfeição, da lentidão.

Guimarães, Heritage Talks

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Guimarães, a "cidade-berço" da Nação! Fim-de-semana aqui por cima (escrevo ainda por cá), tempo para organizar ideias, trabalhar e descansar (cada vez tenho menos tempo, Tolentino de Mendonça diz que a nossa sociedade é a sociedade do cansaço... o meu tempo está sempre medido aos minutos...). Organizar ideias: já sei como será o modelo de venda do projecto Tivoli! A vinda cá acima para falar nas "Heritage Talks" premiou  isso mesmo! Trabalhar: 6.ª à tarde e Sábado de manhã na preparação dum Power-Point. Ficou aceitável, mas hoje em dia há quem faça excelentes apresentações em Power-Point (poderia talvez aprender a fazer melhores apresentações...) e as duas outras comunicações primavam por isso mesmo; hoje de manhã trabalhei novamente: Creixomil: cerca de 1 hora e trinta minutos a preparar coisas. Descansar: ontem à tarde, hoje à tarde (principalmente hoje à tarde, em que, depois duma noite mais ou menos retemperadora...

Bom jornalismo

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É um privilégio contarmos com um jornalismo tão bom, sério e interessante como o da BBC. Ontem "apanhei" já no final, o "Hardtalk", tendo como entrevistado Francis Fukuyama, e o pouco que vi valeu a pena. Mas depois, o noticiário que se seguiu, foi verdadeiramente excelente: na escolha da relevância dos assuntos a tratar, até à forma de os tratar. A bonita e inteligente Kathy Kay frente ao edifício das NU em Nova York estava como pivot e parte, extensa, do bloco noticioso foi sobre a presença de Obama na organização internacional. Não era para menos, dado o peso do assunto que está na ordem do dia da organização extremista islâmica que tem tomado conta de parte da Síria e do Iraque; ora, penso não estar a dizer nenhuma asneira, pois conseguiu-se uma unanimidade do Conselho de Segurança para intervir. O presidente americano fez um discurso contundente na Assembleia Geral e foi possível gara...

Utopia e Fidelidade

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Enquanto passeava na Serra de Sintra pensei o que era para mim, em novo, a verdadeira utopia. Eu e o meu primo Nuno Moser tínhamos um sonho: era o de nos tornarmos nos senhores de Sintra e de exercermos o domínio sobre a Serra, regulando as entradas, se necessário fosse, com uma portagem bem cara! Sintra uma espécie de San Marino ou Lichenstein! Uma utopia infantil, certamente, mas não deixava de ser uma utopia. Não o digo com pretensão, mas acho os sintrenses gente muito especial. Talvez mais reservados que o comum dos portugueses, com uma maior interioridade. Escrevi, certo dia, que a Serra de Sintra me deu uma certa melancolia, penso que é verdade. Passeando pela Serra ou pela Vila todos os rostos se transformam, ninguém é igual na cidade, ou em Sintra. Há um quê que se transforma. Quando algo é bonito, Sintra torna ainda mais bonito. Talvez o mesmo aconteça em sítios muito bonitos como em Itália, em algumas das suas cidades ou no campo....

Adriano Moreira

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Adriano Moreira pertence a um raro número de pessoas que nos ensina sempre que fala. É uma pessoa que se dedicou, desde cedo, a estudar os assuntos com seriedade e profundidade e que se guia por valores humanistas. Admiro-o muito. A sua voz é uma voz avisada, lúcida, muitas vezes até profética (creio que ele, que tanto se dedicou a estudar os assuntos, chegou a uma sabedoria que faz com que ele não apenas fale sobre o Passado como antecipe o Futuro, o que faz dele um profeta). Foi um homem que traçou o seu próprio rumo, com esforço, com tenacidade, com coragem. Penso que ele é um homem que conseguiu abarcar tanto porque sempre exerceu uma enorme capacidade de se interrogar sobre o mundo e de criar diálogo.

Jantar com José Sarmento Matos e outras coisas

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Jantar ontem com José Sarmento Matos. Que cultura extraordinária, uma conversa que irremediavelmente passa pela história de Portugal e da Europa, que nos remete para as camadas de que se faz o nosso País e a nossa identidade. Sempre presente a enorme riqueza do nosso património. Disse-lhe que toda a nossa história é um património imenso. Ele responde-me, que o nosso património é a nossa "conversa". E é-o de facto. Tudo o que não é vivido morre. Gosto por ter amigos de várias idades, companheiros de estrada. Falámos de política, de António Costa, do facto de ser português ser uma "confluência". "Onde seria possível que um indiano concorresse a 1.º Ministro se não em Portugal? Só mesmo em Portugal - possivelmente também em Inglaterra". "Somos do que há de melhorzinho na Europa, somos os comunicadores por excelência". "Podemos ser a periferia geográfica da Europa, mas somos o centro do Atlântico". E muitas mais lições sobre histór...

Mudaram-se os tempos

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A minha geração nasceu depois do 25 de Abril, é uma geração pós " Ancién Régime", nascida com a democratização e com a massificação que a ela está associada. Pertenço a uma família que era dita " privilegiada ", que viveu até perto dos anos 70 com foros de propriedade, cujas benesses se estendiam de forma que abrangia um número elevado de pessoas, que se uniam por laços de parentesco. Havia uma generosidade familiar e uma comunhão alargada de afectos, que se unia à volta de casas e quintas, com grande respeito por precedências. Os mais jovens viviam uma vida animada, despreocupada, feita de veraneios extensos em quintas em Sintra, de amizades em escolas ditas " normais " como o Liceu Pedro Nunes e de solidariedades em clubes de rugby (como o CDUL). " O menino é filho de quem ?", ouvia-se. Era-se sempre filho de " alguém ". Ouso até dizer que havia normalmente uma complacência para as diatribes e asneiras dos da classe... O 25 de ...