Mensagens

Livros e artigos, Portugal como pano de fundo

Imagem
1. Porque escrevi o livro do Tivoli ? No outro dia conversava com o João Brandão e ele contou-me uma história, que conduzia ao propósito das coisas. Nesse novo projecto pergunta-te: " o que te move? " Na verdade não sei porque escrevi o livro do Tivoli. Foi uma tarefa árdua, levou muito tempo, também gastei muito dinheiro. É habitual que ofereça a outas pessoas com muito mais gosto outro livro que fiz: " uma Educação com Sentido, uma reflexão sobre a Escola, hoje ". Sinto que nele dei muito de mim, que foi um esforço muito pessoal de pensar o que é para mim uma educação, uma verdadeira Educação, daquelas que se escrevem com letra maiúscula. O livro do Tivoli foi uma grande empreitada, talvez maior do que desejaria, teve momentos bons de conhecer pessoas, de olhar para o passado. Mas nada disso vivi ou presenciei e houve domínios do livro muito técnicos. Mas esse passado também me fala do que ficou e do que foi a cultura numa grande parte do século XX em Lisboa. Foi ...

Esta minha amiga silenciosa

Imagem
Não precisamos às vezes que os amigos nos digam muitas palavras. Ou por outra: há amigos que nos habituamos que sejam assim, silenciosos. Basta a sua presença.  Esta minha amiga é uma presença silenciosa, que torna muito mais felizes os meus dias.  Chama-se Lisboa e acordo com ela a chamar por mim; a segredar-me ao ouvido, ainda o dia é apenas manhã cedo, sem nada para contar, alinhando-se apenas nuns raios solares que iluminam os telhados, mas que têm o condão de me arrancar da cama bem-disposto. Dou depois por mim feliz na rua, adentrando os meus passos pela rua da Horta Seca e vendo os pinheiros bem lá ao longe (lá no alto do castelo), por entre o lioz dum orgulhoso edifício - donde o meu primeiro gesto de saudação, ao fazer o sinal da cruz, como a agradecer por pisar o chão de um novo dia, irradiante de beleza.  Na verdade, não pedi quaisquer graças, recebi-as gratuitamente.  A surpresa de espreitar os pinheiros lá no alto, sem que nenhum dia me deixe de neles me...

Uma paz interior

Imagem
O contacto com os outros era para si um enorme prazer. Nunca achava que a relação entre duas pessoas o perturbasse minimamente, tinha antes a ideia do outro como aquele que vivia num mundo diferente, aquele que contudo vê, ouve e sente aquilo mesmo que ele via, ouvia e sentia; mas o enfoque era sempre diferente. O outro nunca o invadia, o outro sempre acrescentava, sempre o completava. A sua visão não era crítica, era sim a do homem que toma tudo como novo, que está aberto a fascinar-se, a surpreender-se. Por isso sabia que por mais que encaixasse as pessoas em categorias: a dos extrovertidos, a dos activos, a dos tímidos, a dos valentes ou homenzarrões, cada pessoa tinha em si alguma coisa de próprio, de exclusivo. Que enormemente redutores eram todas as teorias! Que mal era o socialismo, ou a explicação liberal do homem, dividindo as pessoas ora por classes, ora por liberais ou conservadores, nisto ou naquilo... Gostava de ir gozando pouco a pouco as coisas que se lhe mostr...

As lideranças para o futuro

Imagem
Nestes dias, importa pensar que futuro económico iremos forjar no nosso país e deveria ser ponto de discussão entre todos. Seria um exercício de grande inteligência propor que o estudo de António Costa Silva fosse discutido nas nossas escolas pelos estudantes. Os 3 D’s ( Descolonização / Democracia / Desenvolvimento ), marcaram o programa que Mário Soares empregou quando os ímpetos revolucionários com a sua acção foram amainados. Iremos passar por cada um dos D's, mas centrar-nos-emos sobretudo nos dois últimos: a  Democracia  e o  Desenvolvimento , desafios sempre presentes. Na realidade o colonialismo seria algo próprio dum espírito saído do mapa cor-de-rosa, muito ligado aos finais do séc. XVIII.    As coisas até lá fizeram-se de uma forma menos consciente. Havia certamente uma ocupação e um poder administrativo, mas muito menos numa deliberada forma de domínio (talvez real com o Despotismo Esclarecido, mas nessa época todo o poder foi reforçado). Estou em cr...

O Estado da Nação

Imagem
A globalização tem destas coisas: somos infectados por todo o tipo de vírus, não nos escapa nem o corona, nem tampouco o vírus do desnorte que nos leva a rodar tipo catavento, para onde o vento sopra. A falta dum pensamento estratégico é uma consequência directa deste segundo tipo de virus. Nos recentes episódios das estátuas - que o tempo já quase apagou da nossa memória, pois já se seguiram todo o tipo de notícias, muito centradas em casos de corrupção como o que envolve o Espírito Santo e que grassam por cá, ou nos sempre estridentes gritos do mundo do futebol como p.e. aquela que nos dá nota do regresso de Jesus, só mesmo apelando à primeira pessoa da Santíssima Trindade para nos livrar de tanto erro e tanto engano, podemos reganhar alguma paz para perspectivar o mundo que devemos procurar construir.  Fazendo um pouco de exercício de memória, os presentes tempos pedem-nos pessoas que se façam respeitar como foram o caso de Vasco Graça Moura e António Mega Ferreira, ...

A propósito de contemplação

Imagem
Que fazes tu no céu, ó lua? José Tolentino Mendonça Um dos filósofos mais originais e discretos do século XX, o russo Pavel Florenskij, escreveu: “A nossa vida escapa-nos como um sonho, e é possível não chegar a tempo de fazer coisa alguma neste breve instante que é a vida. Por isso, é necessário aprender a arte de viver, a mais difícil e a mais importante das artes: a capacidade de conferir a cada hora um conteúdo substancial, conscientes de que aquela hora não tornará jamais .” Pode, de facto, acontecer-nos “não chegar a tempo” até porque, precisamente o tempo, é uma alta febre que nos toma e que, não raro, nos atira borda fora da nossa própria embarcação. Desde que ganhámos consciência de que estamos dentro do tempo, de que somos seres amassados na argila do tempo, deixámos de ter tempo. A nossa vida, quase por completo, está destinada ao fazer e ao produzir , a essa luta certamente áspera, monótona ou dilacerante, mas também apaixonada, envolvente e, à sua maneira, vital...

Aos nossos pés

Imagem
Hoje ao final da tarde levei os meus sapatos a passear e fui subindo as colinas. Fiz a vontade ao coração que precisava de espaço. Espreitei a cidade e desci escadinhas. Percorri um jardim, com relvado e vista para o Castelo. Tiago Bettencourt tocava no meu spotify. Apropriado. Portugalidade em som; inventada a língua, regozijei-me na variedade deste canta-autor e senti-me acompanhado. Esta cidade de passos repetidos maior fosse e teria mais para descobrir.  Se calhar precisámos de novos horizontes porque este recanto se esgota rapidamente e nos leva a procurar novas paragens. Não é uma grande cidade. Abraçamo-la de cada miradouro e quando ela se abarca e se reconhece ja sem novidade, ficamos tristes. É um porto. E nunca os grandes se ficaram apenas por ela. Por isso o convite para partir. Sinto porém agora um apelo pela labuta que ela exige. Será que nos esgotamos nela? Será que saímos derrotados dela? Tiago Bettencourt:  "Eu não quero pa...