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A moeda de prata e a moeda de ouro

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Quando era pequeno e abria e remexia em gavetas na esperança de nelas encontrar a própria razão da sua curiosidade, um conjunto de 3 moedas de prata, reluziu como tesouro inesperado.  E logo o brilho da prata encandeou sua razão e fê-lo preparar um plano espantoso para que uma dessas moedas lhe fosse a si atribuída com propriedade, de forma indiscutível: pegou numa delas, saiu de casa de seu avô e pouco depois surpreendeu os adultos como o achado extraordinário de uma visita à rua...  Os adultos pouco nisso repararam.  Ninguém o contrariou, mas ainda hoje se pergunta a si próprio se no fundo alguém terá percebido o embuste, aquele embuste por si criado quando tinha menos de 10 anos de idade. Passaram-se entretanto mais de 30 anos e, surpresa, um cliente seu, em sinal de gratidão pela assistência que lhe prestara enquanto advogado, sentados à mesa, estende-lhe numa pequena bolsa um objecto e diz-lhe: " isto é para si, muito obrigado pelo seu trabalho ".  Era...

Fred Pery

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Q uem disse que na vida, não escolhemos?! Conheci gente que em criança era capaz de grandes rasgos, de frases certeiras e desconcertantes . Um dia essa gente cresceu e tornou-se gente convencional, sem graça e sem sal. Não foi assim com Fred Pery (com "y" e não com dois "r", denote-se).  Não sei aliás o que fez com que ele guardasse para si essa liberdade, mas penso não estar muito enganado se disser que era quase por uma questão estética - que ele escolheu ser assim, se bem que, por boa educação, por vezes reservasse para si ou para os seus amigos alguns comentários... Na verdade, sempre teve muitos amigos e adorava brincar com eles, mesmo os de fora topassem por vezes um riso torcista, que os deixava sobretudo irritados, por não pertencerem a esse círculo bem disposto e ... relativamente fechado. Era um tipo alto, direito, se não fosse advogado, seria tribuno na Assembleia da República, daqueles cuja oratória e verve afinada tornava mais divertidas aquelas amiúde ...

"É complicado, é difícil"

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Uma das explicações que podemos encontrar para o sucesso ou insucesso daquilo que fazemos é a vontade que pomos nas coisas.  A questão da motivação é, para mim, das questões mais interessantes e ao mesmo tempo mais complexas. Manter-se motivado não é fácil quando as coisas se tornam difíceis ou se não virmos o fim a que elas se destinam. Uma verdade bem evidente é que a vida não é fácil. Mas também é verdade que nós por vezes também não tornamos a nossa vida fácil e o nosso cérebro não gosta lá muito de trabalhar. Lembro-me de quando tinha que ler por dever no colégio e acabava por não me apetecer lá muito; ou de quando estava na faculdade, sempre que tinha que estudar para determinada cadeira, o que gostava era de pegar em ouras coisas.  Há aquele exemplo de Tom Sawyer e do castigo de pintar a cerca: é um exemplo notável de motivação, pois ele, que é posto de castigo, acaba por conseguir levar os amigos todos dele a pintar a cerca porque eles acham que deve ser a coisa mais d...

Soberania Nacional

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Na biografia de Charles de Gaulle de Éric Roussel, publicada pela Verbo, lia ontem no II volume sobre o fim da carreira deste estadista em que, tendo perdido um referendo, o gigante gaulês parte para a Irlanda e se encontra a certo momento com De Valera. Têm várias conversas. Numa das conversas que ficou gravada, De Valera diz:  " Quando estive na América, há muito tempo, disse que era de desejar a criação dos Estados Unidos da Europa; depois regressei a casa. Reflecti e avaliei o meu erro. Nenhum indivíduo deve renunciar à sua casa. O mesmo se passa com uma família ou com uma nação ". Charles de Gaulle: " É exactamente isso que eu penso ". Esta semana, recebi dum amigo uma notícia publicada na imprensa, segundo a qual,  a Comissária do Conselho da Europa para os Direitos Humanos, apresentava um memorando a respeito da monitorização dos direitos humanos em Portugal, tecendo comentários sobre o racismo no nosso país e sobre a forma como lidamos com o colonial...

Conversa em S. Domingos - o tesouro escondido no campo

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Gosto muito de conversar com o Pe. Mário de Azevedo, um brilhante e culto homem que reza missa em S. Domingos na Baixa Lisboeta. Aquela Igreja corroída pelo tempo é uma metáfora à nossa capacidade de regeneração, de continuarmos erguidos embora os ossos estejam já desgastados pelo tempo. Mas naquele tecto temos a imagem do templo que continua erguido, apesar de tudo. Na semana passada brincava também com o Pe. Mário que ele, dos seus mais de 80 anos era ainda um homem enérgico, que se dobrava para apanhar coisas do chão. Ele dizia-me que os joelhos ainda continuam bons!  Bom, adiante! Comentava com ele que passara a fazer parte da SEDES e que estava a gostar muito pois fazia parte dum grupo que comentava coisas interessantes e que estava a aprender bastante. Este ano esta associação faz 50 anos de existência e prepara um congresso para pensar o futuro de Portugal. Dizia o Pe. Mário que Portugal não anda nada bem. E disse-me algo que me fez pensar que é de que é importante ter algum...

Maçonaria

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Maçonaria. Que fazem homens com cursos superiores, supostamente inteligentes, vestidos com aventais e de mãos dadas? Que fazem homens que discutem leis, que as interpretam e aplicam de aventais e mãos dadas?  Isto a propósito de projectos de lei agora na Assembleia da República.  Ao tempo do Estado Novo proibiu-se a existência de sociedades secretas. Não estamos a falar da sua proibição agora. Estamos a falar de saber quais as fidelidades que unem certas pessoas e não se trata de "vida privada". Só será privada porque não é pública: à vista de todos. E elas são secretas, "discretas" se assim se quiser, porque constituem muitas vezes uma rede de interesses subterrânea.  Parlamentares dos mais importantes partidos políticos são maçons. Temos descoberto que muitas pessoas hoje e nos tempos mais recentes, em lugares chave  da sociedade, da politica e do mundo financeiro também o são; assim como muitos magistrados. Os magistrados que julgam algumas dessas pessoas, qu...

Dança com Lobos

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  Estive a ver “Dança com Lobos” – um filme com Kevin Costner e   que trata de um soldado que vai para os confins da América, para uma região de índios. Fica sozinho num forte abandonado por uma pequena guarnição que, vendo-se completamente esquecida, parte de novo para casa. John Gunbar é um homem resistente. Ao chegar ao forte a sua missão passa por pô-lo em condições. Interroga-se sobre o porquê de certos actos como o de estarem tantos animais mortos dentro do lago, que vai tirar um a um – não consegue compreender a maldade de certos homens, que para se entreterem, matam por puro gozo. Entretanto, um lobo circunda o seu forte e passa a ser a sua companhia, uma presença que ele vai registando no seu diário. O cerne da história tem a ver com o encontro entre este soldado, John Gunbar e os índios Sioux. Estes habitam as pradarias circundantes e Gunbar é um dia surpreendido por um deles, enquanto se refresca no lago frente à sua cabana. A partir daí, sente-se denunciado e...