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Para a frente!

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No caminho que, se quer interessante, cheio de desafios e encontros, cheio de histórias para contar, é importante ter um passo seguro. Confiante. Sempre olhando para à frente, à procura de concretizar o próximo desafio.  É comum, na vida, colocar-mo-nos  questões. As mais perigosas são sempre, "e Se"?! "E, se isto tivesse sido assim?", "e se,..." S. Paulo tem uma expressão muito bonita que é: "combati o bom combate, guardei a fé".  Combater o bom combate é viver com garra, com entrega, acreditando nos nossos valores e tudo fazer para os pôr em prática. Combater o bom combate é ser como um atleta que "fuça" para sempre fazer melhor, que treina para ter os melhores resultados. É acordar cedo, é fazer todo o "trabalho invisível" de preparação que todo o atleta de alta competição se preocupa por fazer, Combater o bom combate é andar de olhos bem abertos, é ser empenhado, é ser atento, é ser comprometido, é não ser i...

Transgressores

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Uma cerimónia, tudo gente fina e bem arranjada. Tudo alinhado e bem comportado. Uma criança, ainda não perfeitamente acomodada à compostura desata num choro e não há nada que a faça parar. Quanto mais lhe "pedem" para parar, mais ela prime as suas cordas vocais. Então, num gesto decidido, pego-a ao colo e afasto-me. "Já viu que está um lindo dia, Vicente, apesar de chover?! Vamos os dois ver a chuva cair ali junto do caminho?!"  Debaixo do meu chapéu de chuva, eu e o Vicente observamos a força da água que, velozmente, corre pelas extremidades do caminho formando um ribeirinho. A sua voz embargada ainda pergunta: "esta água.. ela pode-se beber?" "Claro", digo eu "Vamos beber?!" E então os dois nos inclinamos e ele imitando-me faz uma concha com a sua mão e dá um trago naquela água fresca.  Chegam a nós os adultos, uns minutos depois, nós divertidos com o espectáculo da chuva. Uma conversa séria prende-os: "estive a fala...

Do Quénia a Paris, a viagem amarela do caçador de escorpiões

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Paris, 21 de Julho de 2013. A tarde arrastava-se, demorada, e o calor, insuportável, impunha recolhimento. A longa espera pelo pódio nocturno da 100.ª edição suplicava por uma leitura condicente. Uma fotografia, a toda a altura da primeira página, salpicada por letras que anunciavam o “Rei Sol”, facilitou a escolha. Num café, recolhido da artéria principal, o PÚBLICO abriu a bíblia do desporto francês e deparou-se com um Chris Froome desconhecido. Talvez em jeito premonitório, dada a supremacia do britânico naquele ano e as evidentes capacidades de trepador evidenciadas no ano anterior, quando foi segundo atrás de Bradley Wiggins, o L’Équipe viajou para Portugal e ficou esquecido numa estante. Até este domingo. Neste domingo, foi dia de folhear de novo a estória do  vencedor da Volta a França 2015  numa viagem que começa num bairro residencial de Nairobi, no Quénia. Do encontro entre Clive, um antigo jogador de hóquei da selecção britânica de sub-19, que emigr...

Fidelidade

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Sou fiel. Sou fiel hoje. Sou fiel hoje, aqui. Sou fiel hoje e aqui. Sou fiel hoje e aqui, sempre. Sou fiel hoje e aqui e sempre. A mim próprio, à vida. Ao minuto que corre e que o segundo apanha. Fui fiel. Fui fiel hoje, aqui, hoje e aqui, sempre, hoje aqui e sempre. Fiel por muito que custe. Porque de hoje, de ontem, me pergunto: porque terá aquilo acontecido? E, intranquilo, não me permito viver na paz da insuficiência e da imperfeição. Mas em toda a pressa eficaz, o espírito retrai-se, e, muitas vezes, na insuficiência, na imperfeição, na lentidão, a verdade sente-se mais à vontade, e eu não pretendo fazer-me perfeito, só porque aí deixo de ser fiel. Sou fiel, apesar de tudo. Apesar da insuficiência, da imperfeição, da lentidão.

Guimarães, Heritage Talks

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Guimarães, a "cidade-berço" da Nação! Fim-de-semana aqui por cima (escrevo ainda por cá), tempo para organizar ideias, trabalhar e descansar (cada vez tenho menos tempo, Tolentino de Mendonça diz que a nossa sociedade é a sociedade do cansaço... o meu tempo está sempre medido aos minutos...). Organizar ideias: já sei como será o modelo de venda do projecto Tivoli! A vinda cá acima para falar nas "Heritage Talks" premiou  isso mesmo! Trabalhar: 6.ª à tarde e Sábado de manhã na preparação dum Power-Point. Ficou aceitável, mas hoje em dia há quem faça excelentes apresentações em Power-Point (poderia talvez aprender a fazer melhores apresentações...) e as duas outras comunicações primavam por isso mesmo; hoje de manhã trabalhei novamente: Creixomil: cerca de 1 hora e trinta minutos a preparar coisas. Descansar: ontem à tarde, hoje à tarde (principalmente hoje à tarde, em que, depois duma noite mais ou menos retemperadora...

Bom jornalismo

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É um privilégio contarmos com um jornalismo tão bom, sério e interessante como o da BBC. Ontem "apanhei" já no final, o "Hardtalk", tendo como entrevistado Francis Fukuyama, e o pouco que vi valeu a pena. Mas depois, o noticiário que se seguiu, foi verdadeiramente excelente: na escolha da relevância dos assuntos a tratar, até à forma de os tratar. A bonita e inteligente Kathy Kay frente ao edifício das NU em Nova York estava como pivot e parte, extensa, do bloco noticioso foi sobre a presença de Obama na organização internacional. Não era para menos, dado o peso do assunto que está na ordem do dia da organização extremista islâmica que tem tomado conta de parte da Síria e do Iraque; ora, penso não estar a dizer nenhuma asneira, pois conseguiu-se uma unanimidade do Conselho de Segurança para intervir. O presidente americano fez um discurso contundente na Assembleia Geral e foi possível gara...

Utopia e Fidelidade

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Enquanto passeava na Serra de Sintra pensei o que era para mim, em novo, a verdadeira utopia. Eu e o meu primo Nuno Moser tínhamos um sonho: era o de nos tornarmos nos senhores de Sintra e de exercermos o domínio sobre a Serra, regulando as entradas, se necessário fosse, com uma portagem bem cara! Sintra uma espécie de San Marino ou Lichenstein! Uma utopia infantil, certamente, mas não deixava de ser uma utopia. Não o digo com pretensão, mas acho os sintrenses gente muito especial. Talvez mais reservados que o comum dos portugueses, com uma maior interioridade. Escrevi, certo dia, que a Serra de Sintra me deu uma certa melancolia, penso que é verdade. Passeando pela Serra ou pela Vila todos os rostos se transformam, ninguém é igual na cidade, ou em Sintra. Há um quê que se transforma. Quando algo é bonito, Sintra torna ainda mais bonito. Talvez o mesmo aconteça em sítios muito bonitos como em Itália, em algumas das suas cidades ou no campo....