Mensagens

Pelo Minho

Imagem
Este ano as minhas férias do Verão levaram-me  ao Minho, mais concretamente a Ponte de Lima, aquela que dizem ser a vila mais antiga de Portugal e, certamente, também uma das mais bonitas. Foi uma semana para gozar de ares mais frescos e atlânticos, contrastantes com o interior do Alentejo onde as temperaturas passaram os 40 graus e onde estivera nas semanas anteriores. A vila está virada para o rio Lima, largo curso que forma um plano de água extenso, de águas tranquilas, tendo na sua margem direita jardins e caminhos pedonais arranjados, o que confere uma qualidade de espaço urbano notável. Foi local de passeios e corridas diários, enquanto ao longo do rio toda uma actividade desportiva e lúdica se desenvolve, promovida pelo Clube Náutico de Ponte de Lima. Dezenas de crianças e jovens em grupos, enfiados em kayaks singulares ou colectivos remam rio acima/rio abaixo, animando o ar com a sua alegria e o seu dinamismo, o que dá uma nota de vila vibrante, que consegue envolver os jov...

Em férias

Imagem
Em férias. Tempo para gozar, para realizar em nós o sonho de viver em suspensão, leves e bem-dispostos. 1. Trouxe o livro "O Mapa e o Território", de Michel de Houellebecq.  É um bem urdido romance, conta a história de um artista (fotógrafo e depois pintor) e lê-se com deleite. Somos surpreendidos pela criatividade com que o romance segue, depois do sucesso um tanto ou quanto inesperado da personagem principal, o tal artista. Há algo de cru, de amargo nesta narrativa: o próprio sucesso do artista é determinado por factores alheios a uma intencionalidade certa; é fruto dum mundo apostado em interpretar os dados duma realidade complexa, também com enorme necessidade de identidade e do "back to basics", por outro lado, não isento das leis impessoais e frias do mercado, onde tudo tem um preço. Por isso, ficamos reféns da ambiguidade. Se bem reflectido, o próprio título do livro - que poderia ser o de um manual técnico de ordenamento do território (!) impele-nos a pensar...

Gestão do território, CCDR ou distritos?

Imagem
Tenho estado no Alentejo, em Arraiolos, e aproveitarei o tempo que aqui estou também para um pouco de trabalho. Terei uma reunião em Évora, na CCDR-Alentejo por causa do Monte Velho, propriedade dos meus pais.  É interessante pensar como se deve gerir da melhor forma o nosso território e pensei em como poderei também aproveitar esta minha ida à CCDR-Alentejo para me informar melhor sobre o papel que desempenha uma CCDR, entidade que foi pensada como órgão administrativo que iria dar lugar às regiões (o que nunca chegou a ser feito). Em conversas que fui tendo no ano passado, considerei que os distrito seria talvez o núcleo essencial para a promoção do desenvolvimento, rejeitando a ideia da regionalização tal como ela se apresentava (com criação de 4 grandes regiões no país). A ideia que tenho das pessoas com que me fui cruzando na CCDR-Alentejo é que são bastante competentes e que são disponíveis para ajudar e com relativa facilidade, mas isto é uma impressão micro e não posso daqu...

JMJ, começa agora!!!

Imagem
Uma das coisas que mais me impressionou nesta última semana foi o testemunho duma amiga minha: sabendo que era desejo do Papa que nas JMJ houvesse representantes de todos os países do Mundo e que se estava a ter dificuldades com encontrar representantes das Maldivas, a Catarina "pôs-se em campo" e falou com o seu irmão, que é diplomata em Havana para ver se ele poderia ajudar. O seu irmão não é católico e disse à irmã para ela não vir com as suas "beatices", mas a Catarina não se deixou demover e ripostou-lhe que o Papa estava a contar com ele. Parece que o irmão terá ido depois falar com a Embaixada do Sri Lanka (país vizinho das Maldivas) e que se terá mobilizado depois, tanto é que um grupo hoteleiro local financiou a vinda de vários jovens a Lisboa! Já temos então pessoas das Maldivas! Quem é que nos dizia que nos nossos gestos não contam?! Esperamos que estas coisas partam sempre de alguém, do "chefe", "de quem manda", mas a Catarina achou q...

"Os pássaros cantam para mim", notas de Exercícios Espirituais

Imagem
Jesus Cristo liberta-nos do medo. Deixar-me amar. Deus ama-me a partir de dentro (os outros amam-me a partir de fora): saborear esta certeza e esta experiência. A comunidade não é o sítio para se sentir especial (é sim a oração).    Escutar o meu coração com o coração, mais do que com a cabeça. Dedicar a minha atenção ao que me habita. Deus está amparado em mim. A minha solidão é uma solidão habitada e Deus ama-me como sou. " Os pássaros cantam só para mim ".  Pedir a graça de sentir fortemente a presença de Deus na minha vida: " Tu amas tudo quanto existe e não detestas nada do que fizeste; pois, se odiasses alguma coisa não a terias criado; acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esquecerei. Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos ".  Deus imagina todos no Paraíso. Continuar a corresponder à presença de Deus com amor.  Só Deus é absoluto, tudo o ...

Distrito de Portalegre

Imagem
1. No final de Julho voltei pela primeira vez em muitos anos a Portalegre. Confesso que a primeira impressão que temos quando chegamos é o contraste com a beleza de tudo o que em volta nos encanta: a proliferação dos "pato bravo" estragou a terra, uma cidade alentejana que sucumbiu provavelmente a pretensas vontades de desenvolvimento, mas sem respeito pela identidade. É raro as cidades alentejanas terem cedido à pressão do imobiliário - quase todas as cidades alentejanas importantes foram avessas a essa voragem.  Mas as nota deste distrito de Portalegre - e é disso que pretendo falar, são francamente positivas. Mesmo em Portalegre, as notas que se ouviram foram sublimes: as de Beethoven, mais concretamente as da 7.ª Sinfonia, ouvidas no Centro de Artes e Espectáculos da cidade capital de distrito e tocadas pela Orquestra Gulbenkian, ou as notas que se deram ao paladar no Restaurante "Sal e Alho, etc", com uns secretos de porco preto, acompanhados de bom vinho da re...

Escrever bem, segundo Somerset Maugham

Imagem
Somerset Maugham (1874-1965) elegeu 3 características a procurar na sua escrita: a clareza, a simplicidade e a eufonia. E defendia que: " se puderdes escrever claramente, simplesmente, eufonicamente e ainda com vivacidade, escrevereis perfeitamente: escrevereis como Voltaire! " 1. A clareza. " Nunca tive paciência com os escritores que reclamam do leitor um esforço para compreender o que eles querem dizer (...) Há duas espécies de obscuridade nos escritores. Uma por negligência, outra por puro capricho (...) Outra causa de obscuridade é que o próprio escritor não está perfeitamente seguro do seu pensamento. Tem uma vaga impressão do que quer dizer, mas, ou por falta de poder mental ou por preguiça, não o formulou exactamente no seu espírito ". 2. A simplicidade. " Procurei atingi-la porque não tenho dom para a riqueza. Dentro de certos limites, admiro a riqueza nos outros, embora ache difícil digeri-la em quantidade (...) Mas, se a riqueza exige dons com quem n...